Steed e colaboradores realizaram uma estimativa das oportunidades para higiene das mãos, coletando dados, com uma metodologia desenvolvida pela OMS, em três unidades distintas (UTI, enfermaria e emergência) de dois hospitais com características distintas (hospital escola de grande porte e hospital comunitário de pequeno porte).

Em um total de 436,7 horas foram observadas 6.640 oportunidades para higiene das mãos. Foram avaliadas as 5 indicações padronizadas pela OMS e em todas as unidades o predomínio foi após contato com proximidades do paciente (33,9% em UTI, 36,0% em enfermaria e 35,9% em emergência), seguida por após contato com paciente (UTI: 28,4%; enfermaria: 26,5%; emergência: 29,3%); antes de contato com paciente (UTI: 20,5%; enfermaria 20,9%; emergência: 21,4%); após exposição a fluidos corpóreos (UTI: 12,1%; enfermaria 9,7%; emergência 9,0%) e antes de técnicas assépticas (UTI: 5,1%; enfermaria 6,8%; emergência 4,9%).

Em relação à categoria profissional foi observado: em relação às oportunidades: enfermagem (UTI: 74,6%; enfermaria: 80,0%; emergência: 70,6%); médicos (UTI: 7,4%; enfermaria: 3,5%; emergência: 15,2%); hotelaria (UTI: 0,9%; enfermaria: 2,4%; emergência: 1,0%) e outros: fisiotepia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, técnicos em radiologia, laboratório clínico, etc (UTI: 17,2%; enfermaria: 14,1%; emergência: 13,2%).

Diferenças também foram observadas em relação ao período de trabalho e unidade observada em termos de oportunidades por paciente-dia: UTI do hospital escola de grande porte (total: 178,8; 168-189; dia: 87,1; 79,8-94,4; noite: 93,5; 81,4-105,5); UTI de hospital comunitário de pequeno porte (total: 70,9; 61,0-80,7; dia: 39,1; 32,4-45,7; noite: 29,2; 20,1-38,3); enfermaria do hospital universitário de grande porte (total: 71,6; 64,9-78,3; dia: 33,3; 30,3-36,3; noite: 40,7; 32,9-48,5); enfermaria de hospital comunitário de pequeno porte (total: 30,3; 24,6-35,9; dia: 16,6; 12,7-20,6; noite: 12,7; 9,1-16,2). Em relação às unidades de emergência, as oportunidades foram medidas por leito e por hora: pacientes críticos (total: 5,03: 4,6-5,5; dia: 4,83; 4,2-5,5; noite: 5,39; 4,8-5,9); geral (total: 1,84; 1,5-2,2; dia: 1,90; 1,4-2,4; noite: 1,76; 1,3-2,2).

Segundo os autores, este estudo não é representativo e deve ser repetido em outras instituições, mas as duas oportunidades mais frequentes parecem repetir em outros estudos. Eu destaco alguns pontos adicionais para reflexão: a predominância acentuada de oportunidades nas mãos da enfermagem; o relativamente pequeno número de oportunidades dos médicos, que tradicionalmente aderem menos a esta prática; e importância das atividades realizadas no plantão noturno em termos de oportunidades para higiene das mãos, principalmente em instituições de grande porte e em pacientes críticos.  Todos estes pontos devem ser levados em consideração no planejamento das atividades educativas, caso estes dados sejam confirmados em estudos posteriores.

Fonte: American Journal of Infection Control: vol 39, pags 19-27, fev 2011

Resenha elaborada por Antonio Tadeu Fernandes para CCIH Revista

 

Revisado e atualizado por Antonio Tadeu Fernandes
para Memória CCIH


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