O controle de pressurização em salas com ventilação especial exerce um papel importante na proteção de pacientes e trabalhadores de saúde em relação às patologias transmitidas por via aérea. Isto foi demonstrado em um surto de tuberculose multirresistente ocorrido em 1991 em um Hospital de Nova York, afetando 3 pacientes e 1 funcionário. Outro estudo citado, observou que aproximadamente metade das unidades de isolamento apresentam fluxo de ar na direção incorreta.

O objetivo do estudo da equipe de Nancy Rice foi medir a pressão ambiental em quartos normais, unidades de isolamento para atendimento de pacientes com doenças transmissíveis e unidades, com pretenso gradiente negativo de pressão e unidades para isolamento reverso, com gradiente positivo. Foi também avaliada a flutuação da pressão e quais fatores interferiam com seus resultados. Ao invés de se utilizar análise qualitativa do fluxo observando uma cortina de fumaça, como a grande maioria dos estudos precedentes, os valores foram quantificados com um equipamento especial que mede os níveis pressóricos em Pascais (Pa).

A média das determinações foi: quarto comum -0,2 Pa; unidade de isolamento para doenças transmissíveis -0,3 Pa; unidade de isolamento reverso 8,3 Pa. Efetivamente, na média, apenas a unidade de isolamento reverso apresentou pressão positiva. Entretanto, os valores oscilaram bastante, principalmente nas unidades em que a pressão era controlada. Todos os tipos de sala chegaram a apresentar, em dados momentos, pressões negativas e positivas em outros, perdendo seu gradiente protetor.

O controle da pressão interna é feita por um balanço entre exaustão e insuflamento de ar em uma unidade. Geralmente quando se realiza um projeto arquitetônico pouca atenção é dada para os detalhes que permitem o escape de ar, como vedação das janelas, conexões elétricas, tubulações de água e sistemas de gases. As vezes a equipe hospitalar inadvertidamente realiza ações que comprometem o gradiente desejado. No período de estudo por exemplo, foi removido o abafador na entrada de ar, permitindo o maior fluxo e o aumento da pressão. Em outro exemplo, um aperto na hélice do exaustor aumentou a remoção de ar na sala de isolamento protetor, reduzindo seu gradiente pressórico.

Além de correções estruturais e profissionais que levam a uma menor ocorrência destes “acidentes”, deve-se estimular o emprego de monitores contínuos da pressão ambiental, dotado de alarmes para que as alterações sejam rapidamente corrigidas, antes que ocorram conseqüências deletérias.

 

Fonte: Rice N, Streifel A, Vesley D. An evaluation of hospital special-ventilation-room pressures. Infect Control Hosp Epidemiol 2001; 22: 19-23.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

 


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