O uso abusivo e indiscriminado de antimicrobianos e a emergência de cepas bacterianas com crescentes níveis de resistência tem sido objeto de preocupação mundial. A prescrição em seus aspectos legais, técnicos e éticos é o ponto de partida para o uso de medicamentos e contribui para a qualidade da terapêutica. Este trabalho teve como objetivo analisar a qualidade das prescrições pediátricas de antimicrobianos de uma Unidade Básica de Saúde do município de Campo Grande, MS, no período de 01 de abril a 30 de junho de 2010, a fim de fornecer informações sobre o padrão de utilização desses fármacos na população local.

O estudo desenvolvido constituiu-se de uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa. Foram aviadas 1318 prescrições pediátricas no período estudado. Em 37,7% (497) dessas prescrições estava prescrito pelo menos um antimicrobiano de uso sistêmico. O número médio de medicamentos por prescrição foi de 3,2. A amoxicilina foi o antibiótico mais prescrito, em segundo lugar o sulfametoxazol com trimetoprima e a cefalexina ficou em terceiro lugar.

A indicação da dose, posologia e tempo de tratamento dos antibióticos ocorreram em 100% das prescrições, a via de administração foi registrada em 99%, a forma farmacêutica em 32,03 % e a concentração em 60,94%. A utilização do nome genérico ocorreu 93,75 % e 99% dos medicamentos prescritos constavam na REMUME.

No que diz respeito à legibilidade dos receituários e à data da prescrição, 19,32% das prescrições estavam pouco legíveis e uma alta porcentagem das prescrições, 43,75%, estavam sem data. Os estudos de base populacional são metodologicamente simples e permitem o conhecimento das realidades locais. Este estudo constituiu uma primeira abordagem para verificar aspectos relativos à qualidade da prescrição de antibacterianos.

Limita-se por não atingir em amplitude alguns pontos principais do uso inadequado de antimicrobianos, intervalo posológico, indicação e seleção do antimicrobiano em face do diagnóstico. Destaca-se, portanto, a necessidade de investigações mais aprofundadas.

 

Autora: Lis Evelyn de Souza Fedel Miyasato

 


Ficou interessado? Veja nossos cursos MBA em CCIH e CME.