Neste boletim temos Informações científicas importantes para vocês sobre: critérios da OMS para liberação de isolamento, novo posicionamento da OMS sobre hidroxicloroquina e dexametasona, orientações sobre tratamento odontológico, uso de micropartículas de prata em máscaras e outros tecidos. Aqui temos informações importantes de forma resumida e avaliadas sob a perspectiva das evidências científicas. Afinal, como cantava Caetano Veloso, quem lê tantas notícias….

OMS: Critérios para liberação de pacientes com COVID-19 do isolamento

Em 27 de maio de 2020, a OMS publicou diretrizes provisórias sobre o manejo clínico do COVID-19, e forneceu recomendações atualizadas sobre os critérios para dispensar pacientes do isolamento. Os critérios atualizados refletem descobertas recentes de que pacientes cujos sintomas foram resolvidos ainda podem ser positivos para o vírus COVID-19 (SARS-CoV-2) por RT-PCR por muitas semanas. Apesar desse resultado positivo, é pouco provável que esses pacientes sejam infecciosos e, portanto, é improvável que sejam capazes de transmitir o vírus a outra pessoa.

Este resumo científico fornece a justificativa para as alterações feitas no gerenciamento clínico das orientações do COVID-19, com base em evidências científicas recentes. A OMS atualizará esses critérios à medida que mais informações estiverem disponíveis.

Recomendação atualizada – Nova recomendação (publicada em 27 de maio de 2020 como parte de uma orientação mais abrangente sobre cuidados clínicos)

No Guia Clínico do Gerenciamento Clínico do COVID-19, publicado em 27 de maio de 2020, a OMS atualizou os critérios para alta do isolamento como parte do caminho do atendimento clínico de um paciente com COVID-19. Esses critérios se aplicam a todos os casos do COVID-19, independentemente do local do isolamento ou da gravidade da doença.

  • Critérios para dispensar pacientes do isolamento (isto é, descontinuar as precauções baseadas na transmissão) sem exigir novo teste *:
    • Sem sintomas respiratórios e sem uso de antipiréticos (alguns pacientes podem apresentar sintomas como tosse pós-viral além do período de infecciosidade. Mais pesquisas são necessárias.)
    • Para casos assintomáticos: ​​10 dias após teste positivo para SARS-CoV-2 (Um caso assintomático é um indivíduo que possui um teste positivo confirmado em laboratório e que não apresenta sintomas durante o curso completo da infecção.)

Por exemplo, se um paciente tiver sintomas por dois dias, ele poderá ser liberado do isolamento após 10 dias + 3 = 13 dias a partir da data de início dos sintomas; para um paciente com sintomas por 14 dias, ele pode receber alta (14 dias + 3 dias =) 17 dias após a data do início dos sintomas; para um paciente com sintomas por 30 dias, o paciente pode receber alta (30 + 3 =) 33 dias após o início dos sintomas).

* Os países podem optar por continuar usando os testes como parte dos critérios de liberação. Nesse caso, a recomendação inicial de dois testes de PCR negativos com pelo menos 24 horas de intervalo pode ser usada.

Com base em evidências que mostram a raridade do vírus que pode ser cultivada em amostras respiratórias após 9 dias após o início dos sintomas, especialmente em pacientes com doença leve, geralmente acompanhada de níveis crescentes de anticorpos neutralizantes e resolução de sintomas, parece seguro liberar pacientes de isolamento com base em critérios clínicos que requerem um tempo mínimo de isolamento de 13 dias, em vez de estritamente em resultados repetidos de PCR. É importante observar que os critérios clínicos exigem que os sintomas dos pacientes tenham sido resolvidos por pelo menos três dias antes da liberação do isolamento, com um tempo mínimo de isolamento de 13 dias desde o início dos sintomas.

Essas modificações nos critérios de alta do isolamento (em um estabelecimento de saúde ou em outro local) equilibram a compreensão do risco infeccioso e a praticidade de exigir repetidos testes de PCR negativos, especialmente em ambientes de transmissão intensa ou suprimentos limitados. Embora seja provável que o risco de transmissão após a resolução dos sintomas seja mínimo com base no que é conhecido atualmente, ele não pode ser completamente descartado. No entanto, não existe uma abordagem de risco zero, e a confiança estrita na confirmação por PCR da depuração do RNA viral cria outros riscos (por exemplo, sobrecarregar recursos e limitar o acesso à assistência médica para novos pacientes com doença aguda). Em pacientes com doença grave que são sintomáticos por períodos prolongados, uma abordagem em laboratório também pode auxiliar na tomada de decisões sobre a necessidade de isolamento prolongado. Essa abordagem em laboratório pode incluir a medição da carga viral e os níveis de anticorpos neutralizantes (ou anticorpo equivalente comprovado). São necessárias mais pesquisas para validar ainda mais essa abordagem.

Fonte: https://www.who.int/news-room/commentaries/detail/criteria-for-releasing-covid-19-patients-from-isolation 

OMS recebe com satisfação resultados preliminares sobre o uso de dexametasona no tratamento de pacientes críticos com COVID-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ficou muito satisfeita com os resultados iniciais de ensaios clínicos do Reino Unido, que mostram que a dexametasona, um corticosteróide, pode salvar vidas em pacientes gravemente doentes com COVID-19. Para pacientes em ventilação mecânica, o tratamento mostrou reduzir a mortalidade em cerca de um terço e, para pacientes que necessitam apenas de oxigênio, a mortalidade foi reduzida em cerca de um quinto, de acordo com resultados preliminares compartilhados com a OMS. O benefício foi observado apenas em pacientes gravemente doentes com COVID-19 e não foi observado em pacientes com doença mais leve.

“Este é o primeiro tratamento a ser mostrado para reduzir a mortalidade em pacientes com COVID-19 que necessitam de suporte de oxigênio ou ventilador”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “São ótimas notícias e parabenizo o governo do Reino Unido, a Universidade de Oxford e os muitos hospitais e pacientes no Reino Unido que contribuíram para esse avanço científico que salvou vidas”.

A dexametasona é um esteróide usado desde a década de 1960 para reduzir a inflamação em uma variedade de condições, incluindo distúrbios inflamatórios e certos tipos de câncer. Ele está listado na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS desde 1977 em várias formulações e atualmente está fora da patente, disponível de forma acessível na maioria dos países.

Os pesquisadores compartilharam ideais iniciais sobre os resultados do estudo com a OMS, e estamos ansiosos para a análise completa dos dados nos próximos dias. A OMS coordenará uma meta-análise para aumentar nossa compreensão geral dessa intervenção. As orientações clínicas da OMS serão atualizadas para refletir como e quando o medicamento deve ser usado no COVID-19.

As notícias de hoje se baseiam na reunião Blueprint de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS, realizada em Genebra em meados de fevereiro para acelerar as tecnologias de saúde para o COVID-19, onde mais pesquisas sobre o uso de esteróides foram destacadas como uma prioridade. Os resultados reforçam a importância de grandes ensaios clínicos randomizados que produzem evidências acionáveis.

Fonte: https://www.who.int/news-room/detail/16-06-2020-who-welcomes-preliminary-results-about-dexamethasone-use-in-treating-critically-ill-covid-19-patients

A OMS anunciou que o braço da hidroxicloroquina (HCQ) do Estudo Solidarity, para encontrar um tratamento eficaz com COVID-19, foi interrompido

O Grupo Executivo do estudo e os principais investigadores tomaram a decisão com base em evidências do estudo Solidarity, do Reino Unido Recovery e de uma revisão da Cochrane de outras evidências sobre a hidroxicloroquina.

Dados do Solidarity (incluindo os dados do estudo French Discovery) e os resultados recentemente anunciados do estudo Recovery do Reino Unido mostraram que a hidroxicloroquina não resulta na redução da mortalidade de pacientes COVID-19 hospitalizados, quando comparados com o padrão de atendimento.

Os investigadores não randomizarão outros pacientes para hidroxicloroquina no estudo Solidarity. Pacientes que já iniciaram a hidroxicloroquina, mas que ainda não concluíram o curso no estudo, podem concluir o curso ou parar a critério do médico supervisor.

Esta decisão se aplica apenas à condução do estudo Solidarity e não se aplica ao uso ou avaliação da hidroxicloroquina na profilaxia pré ou pós-exposição em pacientes expostos ao COVID-19.

Fonte: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/events-as-they-happen

CDC -Orientação provisória de controle e prevenção de infecções para ambientes odontológicos durante a resposta COVID-19

Atualizações de 17 de junho de 2020:

  • A recomendação de aguardar 15 minutos após a conclusão dos cuidados clínicos e a saída de cada paciente sem suspeita ou confirmação de COVID-19 para começar a limpar e desinfetar as superfícies da sala foi removida para alinhar-se às recomendações provisórias de controle e prevenção e controle de infecção por CDC para pacientes com suspeita ou confirmação.
  • O período recomendado para que os pacientes informem a clínica odontológica se desenvolverem sintomas ou forem diagnosticados com COVID-19 após uma consulta odontológica foi alterado para 2 dias para se alinhar ao Pessoal de Saúde do CDC com a Orientação para Exposição Potencial.

Confira na íntegra em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/dental-settings.html

Já tivemos três programas SuperAção debatendo, com equipe multidisciplinar, o controle de infecção em procedimentos odontológicos e temos um próximo confirmado para o dia 25/06.

Links

Parte 1: https://youtu.be/HWQjrQXyaug

Parte 2: https://youtu.be/7p6eyimCkFE

Parte 3: https://youtu.be/kRF-fufxpzw

OPAS: COVID-19 afeta funcionamento de serviços de saúde para doenças crônicas não transmissíveis nas Américas

Os serviços de prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) estão sendo seriamente afetados desde o início da pandemia de COVID-19 na região das Américas, revela pesquisa realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

A pesquisa virtual foi respondida por 158 países, sendo 28 deles Estados Membros da OPAS, durante um período de quatro semanas no mês de maio e confirmou que o impacto é global e que a interrupção dos serviços de saúde de rotina constitui uma ameaça à saúde das pessoas que vivem com doenças crônicas.

Desde o início da pandemia, os serviços de saúde de rotina foram reorganizados ou descontinuados e muitos pararam de prestar assistência a pessoas em tratamento de doenças como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes. Além disso, muitos profissionais de saúde que costumam prestar esse atendimento foram redirecionados para a resposta à COVID-19. “O tratamento e o atendimento a essas pessoas precisam continuar. Os países devem buscar formas inovadoras para garantir sua continuidade e também enfrentar a COVID-19”, afirmou Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS.

Fonte: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6202:covid-19-afeta-funcionamento-de-servicos-de-saude-para-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-nas-americas&Itemid=839

Micropartículas de prata podem auxiliar no controle da transmissão do coronavírus

Pesquisadores da empresa paulista Nanox, apoiada pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), desenvolveram um tecido com micropartículas de prata na superfície que demonstrou ser capaz de inativar o coronavírus SARS-CoV-2. Em testes de laboratório, o material foi capaz de eliminar 99,9% da quantidade do vírus após dois minutos de contato.

“Já entramos com o pedido de depósito de patente da tecnologia e temos parcerias com duas tecelagens no Brasil que irão utilizá-la para a fabricação de máscaras de proteção e roupas hospitalares”, diz à Agência FAPESP Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox.

O tecido é composto por uma mistura de poliéster e de algodão (polycotton) e contém dois tipos de micropartículas de prata impregnadas na superfície por meio de um processo de imersão, seguido de secagem e fixação, chamado pad-dry-cure.

Para realizar os ensaios, a empresa se associou a pesquisadores do ICB-USP, que conseguiram logo no início da epidemia no Brasil isolar e cultivar em laboratório o SARS-CoV-2 obtido dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença no Hospital Israelita Albert Einstein. Amostras de tecido com e sem micropartículas de prata incorporadas na superfície foram colocadas em tubos contendo uma solução com grandes quantidades de SARS-CoV-2, crescidos em células. As amostras foram mantidas em contato direto com os vírus em intervalos de tempo diferentes, de dois e cinco minutos, para avaliar a atividade antiviral.

Os resultados das análises por quantificação do material genético viral por PCR indicaram que as amostras de tecido com diferentes micropartículas de prata incorporadas na superfície inativaram 99,9% das cópias do novo coronavírus presentes nas células após dois e cinco minutos de contato.  Além de testes para avaliação da atividade antiviral, antimicrobiana e fungicida, o material também passou por ensaios para avaliação do potencial alérgico, fotoirritante e fotossensível, para eliminar o risco de causar problemas dermatológicos.

A empresa pretende avaliar agora a duração do efeito antiviral das micropartículas no tecido. Em testes relacionados à propriedade bactericida, os materiais foram capazes de controlar fungos e bactérias em tecidos mesmo após 30 lavagens.

As micropartículas são polímeros que auxiliam na liberação do fármaco de forma sustentada. Elas podem ser aplicadas em qualquer tecido composto por uma mistura de fibras naturais e sintéticas. Além de tecidos, a empresa está testando agora a capacidade de inativação do novo coronavírus pelas micropartículas de prata incorporadas à superfície de outros materiais, como filmes plásticos e um polímero flexível, semelhante a uma borracha, que utilizou para desenvolver uma máscara de proteção contra o novo coronavírus em parceria com a fabricante de brinquedos Elka.

Destacamos que este é um estudo ainda em fase experimental, devendo ser testado em ensaios clínicos mais robustos para confirmar sua segurança e efetividade.

Fonte: http://agencia.fapesp.br/empresa-paulista-desenvolve-tecido-capaz-de-eliminar-o-novo-coronavirus-por-contato/33414/

Diretora da OPAS pede a países que contenham propagação da COVID-19 em populações vulneráveis nas áreas de fronteira

A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, convocou nesta terça-feira (16) os países a “trabalharem juntos para fortalecer a resposta à saúde em seus territórios e além-fronteiras” e conter a propagação de casos de COVID-19 entre migrantes e populações vulneráveis nas áreas de fronteira.

“A maioria das cidades fronteiriças carece de uma infraestrutura de saúde robusta e a qualidade e acesso aos serviços são geralmente baixos. Devido às instalações hospitalares limitadas, estas cidades costumam contar com laboratórios de capacidade limitada e pequenas clínicas que atendem comunidades em vastas áreas de captação”, afirmou a diretora da OPAS. O aumento da transmissão de COVID-19 nessas áreas “é motivo de séria preocupação e ação imediata”.

As Américas estão se “aproximando rapidamente de 4 milhões de casos e a epidemia ainda está se acelerando na região”, enfatizou Etienne, com quase 204 mil mortes notificadas por COVID-19. Atualmente, os Estados Unidos respondem por 54% de todos os casos nas Américas e o Brasil possui 23% de todos os casos. “E não estamos vendo a transmissão desacelerar. Esse é o caso em quase todos os países da América Latina e alguns no Caribe.”

Fonte: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6198:diretora-da-opas-pede-a-paises-que-contenham-propagacao-da-covid-19-em-populacoes-vulneraveis-nas-areas-de-fronteira&Itemid=812

ANVISA realiza Webinar sobre importação de produtos para Covid-19

Na próxima segunda-feira (22/6), a partir das 15h, a Anvisa realizará um seminário virtual, chamado Webinar, com o objetivo de orientar os importadores sobre os procedimentos necessários para a importação de produtos para saúde considerados prioritários no combate à Covid-19.

O tema será tratado com base nos termos da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 356/2020, que dispõe, de forma ordinária e temporária, sobre os requisitos para fabricação, importação e aquisição de dispositivos médicos identificados como prioritários para uso em serviços de saúde, em consequência da pandemia.

Fonte: http://portal.anvisa.gov.br/noticias?p_p_id=101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_groupId=219201&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_urlTitle=webinar-importacao-de-produtos-para-covid-19&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_assetEntryId=5918275&_101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU_type=content

Elaborado por: Laura Czekster Antochevis

Contato: laura_czeats@hotmail.com ou http://linkedin.com/in/laura-czekster-antochevis-457603104

Colaboração: Antonio Tadeu Fernandes


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