A infecção do sítio cirúrgico pode ser muito dispendiosa, seu custo divide-se em três: custo para o hospital, custo para o paciente e custo para os serviços comunitários. Os estudos realizados para estimar custos são limitados por diferenças na coleta de dados, no tipo de pacientes estudados, pelo período em que a coleta foi realizada e no caso de estudos retrospectivos há a limitação dos registros encontrados em prontuário.

Nos EUA a infecção do sítio cirúrgico acarreta um aumento na permanência de aproximadamente 7 dias e um custo adicional de U$ 2.434,00. Em estudo similar realizado no Reino Unido estimou-se um aumento na permanência de 8,2 dias e um custo de Eur 1.041,00, no entanto nenhum dos estudos contou com os custos para os serviços comunitários ou para o paciente.

Um estudo do Laboratório de Saúde Pública do Reino Unido identificou um aumento nos custos para pacientes com infecção de sítio cirúrgico de 2,5 vezes, ou seja, Eur 2.398 para pacientes com infecção contra Eur 1.618 para pacientes sem infecção. Este foi o primeiro estudo do Reino Unido que contemplava o custo socioeconômico de infecção do sítio cirúrgico, no entanto não englobou estudos no pós-alta.

Estudos incluindo custos para os serviços primários identificaram um aumento no trabalho do médico e da enfermeira que atendem esse paciente em 2 vezes e 5 vezes ou mais respectivamente, impondo sobrecarga aos serviços comunitários.

A literatura em geral não menciona as consequências sofridas pelo paciente. Uma revisão de infecção hospitalar (N = 3.471) realizada em sete hospitais da Dinamarca, enfatizou os custos para o paciente usando um “Questionário Geral de Saúde” e a “Lista de Atividades Diárias”. Aproximadamente 33% dos pacientes responderam o questionário. Foi identificado aumento de dependência social nos pacientes que desenvolveram infecção do sítio cirúrgico.

O estudo do Laboratório de Saúde Pública do Reino Unido detectou impacto econômico para os pacientes que desenvolveram infecção como 3,2 vezes maior do que para os não infectados, e o número de dias desde a admissão no hospital ao retorno às atividades normais em 6 a 13 dias. Os pacientes com infecção hospitalar têm mais dias fora do trabalho e recebem mais cuidados informais que os demais.

Os objetivos do estudo são quantificar o custo da infecção de sítio cirúrgico para o hospital comunidade e paciente e avaliar o custo-benefício de um programa de auditoria de infecção do sítio cirúrgico.

Este é um estudo de coorte prospectivo que envolveu todos os pacientes que sofreram cirurgias previamente determinadas e produziu mensalmente dados de infecção do sítio cirúrgico. A Infecção do sítio cirúrgico foi definida como drenagem purulenta ou dor e eritema indicativos de celulite.

Os dados foram coletados prospectivamente através de registros e entrevistas em auditoria de infecção de sítio cirúrgico (em 7 e 30 dias depois da cirurgia).

1. Custo para o hospital:

Drenagem de secreção purulenta (aumento de dias de internação);

Readmissão de pacientes (aumento de dias de internação);

Mudança nas práticas da instituição aumentando custos (ex.: banho com clorexidine);

 

2. Custo para os serviços da comunidade:

Número de consultas médicas devido à infecção do sítio cirúrgico;

Número de consultas/visitas de enfermagem devido a infecção do sítio cirúrgico;

 

3. Custo para o paciente:

Número de curativos necessários por infecção (em casa);

Gastos com antimicrobianos;

 

Foram analisados os custos identificando recursos usados em feridas drenantes, readmissão no hospital, tempo gasto por médicos e enfermeiros e custos com prescrições destes pacientes e custos de unidade de leito/dia de hospitalização, 30 minutos de visita de enfermagem e 10 minutos de visita médica. Os valores foram obtidos de departamentos de contratos do hospital e da comunidade de 1998 e 1999. Custo de leito dia de Eur 233,00, visita médica de ? 4,88 e de enfermagem Eur 5,94.

Considerando que a intervenção de vigilância de feedback tem efeito em índices de SSI, foram medidas as taxas antes e depois, bem como número de dias de internação. O custo da intervenção baseou-se no salário de enfermeiras.

Os dados foram coletados de 2241 pacientes admitidos entre 01/11/1995 e 31/03/1999 para realização de cirurgias limpas eletivas. Foram excluídos 39 pacientes, provenientes de outros hospitais, do total analisado 220, ou seja, 10% desenvolveram SSI, que foi estratificada conforme a classe cirúrgica, sendo os custos variáveis conforme o tipo de cirurgia. A média no aumento de dias de internação foi de 6 dias para pacientes internados e 4 para reinternações. Uma média de 1 visita médica e 1 de enfermagem.

Neste estudo, o custo das infecções identificadas foi em torno de Eur 90.000, sendo 89% destes equivalentes a dias extras e o restante à custos da comunidade e do paciente. Os custos para a comunidade são razoavelmente altos e talvez devessem ser de responsabilidade do hospital, uma vez que planejamento de serviços comunitários não inclui provisões para patologias imprevisíveis como infecções hospitalares. Devido ao fato da enfermagem comunitária no Reino Unido ser fundamentada em contratos por blocos há o risco de aumento da demanda e o não financiamento desta área.

O custo total do programa foi de Eur 9.000,00 e o custo médio para prevenção de uma SSI foi de Eur 44,00 comparado ao o custo de uma infecção como uma SSI pós cirurgia torácica, que gira em torno de Eur 359,00, é uma diferença considerável.

Alguns estudos sugerem que a relação custo efetividade da vigilância das SSI é desconhecida, outros sugerem que embora a opção mais eficaz de controlar a SSI seja manter uma enfermeira auditora, essa é uma medida muito despendiosa. No entanto, este estudo demonstrou claramente que a redução dos custos pode ser alcançada e que muitas práticas foram alteradas devido a auditoria e podem ser publicadas. A auditoria pode ainda ser justificada devido ao aumento da rotatividade de pacientes e redução do risco de litígio.

 

Fonte: Reilly J., Twaddle J., Kean. An Economic Analysis of Surgical Wound Infection. J Hosp Infect. Vol 49: 245-249, 2001.

Resumido por: Cristiane Schmitt.


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