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Saiba quais outras infecções poderão se disseminar durante uma guerra

Iniciar uma guerra durante uma pandemia poderá ser o maior crime contra a humanidade de todos os tempos, principalmente quando existe risco de disseminação do conflito e possuirmos armas de destruição em massa que poderão afetar toda humanidade. Saiba quais outras infecções, além do Covid-19 podem se disseminar neste cenário que beira um apocalipse.

Saindo do escopo do Coronavírus, o mundo vem vivenciando a escalada de violência da guerra entre Rússia e Ucrânia. Na verdade, uma verdadeira invasão russa para demonstrar seu suposto poder sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Nos planejamentos da guerra há grandes preocupações referentes à água potável, alimentação adequada, aglomerações e outras situações que podem disseminar doenças infecciosas entre as tropas. A guerra biológica é a mais sagaz e mortífera das estratégias.

Já me preparando para a batalha, fiz essa lista e preparativos para caso sejamos chamados ao conflito. Não, não iremos para a Ucrânia, mas a luta contra a desinformação é diária.

Febre tifoide/Salmonelose

Essa aqui já matou muita gente e já destruiu muita guerra. Quando se realiza o cerco a uma cidade a estratégia é mantê-la desabastecida e com dificuldade de se manter. Cortar a energia faz com que haja dificuldade em manter os alimentos na temperatura adequada, fazendo-os degradar mais rapidamente.

Esse apodrecimento leva ao crescimento de Salmonella typhi e suas variáveis, uma poderosa causa de infecção abdominal, diarreia, com sangramento, perfuração e sintomas bastante graves. Pessoas doentes podem defecar na água do rio e contaminar todo o sistema de uma cidade para dificultar ainda mais a sua sobrevivência no cerco.

Esparta usou essa estratégia para matar um terço de Atenas na guerra do Peloponeso e abriu as portas para Felipe da Macedônia. Anne Frank e sua irmã morreram de febre tifoide quando estavam reclusas em um covarde campo de concentração. Robert J Cole sofreu desse infortúnio em Xamã de Noah Gordon em plena guerra civil americana.

Primeira estratégia, cerco das cidades, cortar energia e contaminar a rede de água e alimentos

Cólera

Outra máquina de matar tropas. A Cólera já matou muitas pessoas principalmente no século XIX. Essa bactéria, o Vibrio cholerae, contamina as águas potáveis e onde estão guardadas, levando a uma diarreia incontrolável. A diarreia explosiva e aquosa incapacita rapidamente os soldados, e ocupa bastante os profissionais de saúde para hidratar sem parar com dois acessos venosos e impedir a morte por desidratação.

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A pessoa se acaba tanto de diarreia que as macas já tinham um buraco com um balde embaixo, já que fraldas e outras formas de controle das fezes eram ineficazes. O segredo era hidratar mais do que o indivíduo perde.

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É comum ainda encontrar macas com esses buracos hoje em dia nos hospitais, reflexo do surto de cólera na década de 90 no território brasileiro.

Doença de Lyme e riquétsias

Essa é uma velha conhecida das guerras bárbaras. Os conflitos em floresta e as trincheiras faz com que os soldados fiquem aglomerados em condições de higienes paupérrimas somadas ao ambiente hostil do desmatar e todos os animais que viviam naquele bioma.

Dessa forma, vários carrapatos, piolhos e pulgas saem dos animais costumeiros e encontram humanos para se alimentar e distribuir as mais diversas doenças. Lyme, peste negra, tifo murino, erliquiose e várias outras doenças são transmitidas dessa forma. Inclusive, na Primeira Guerra Mundial e na guerra do Vietnã vários soldados foram incapacitados e definiram a guerra para um dos lados.

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O próprio grande Império Romano do Ocidente caiu após a Peste Negra dizimar um terço da população e enfraqueceu seu legado com a ascenção dos mouros e das Cruzadas, levando a Igreja Católica ao poder supremo da Idade Média.

Tuberculose/Hanseníase

Imaginar que ainda hoje apanhamos dessas duas doenças. Doenças milenares e que ainda tentamos erradicar mesmo com todo o arsenal diagnóstico e terapêutico atual. Dentro da Atenção Básica Primária dos sistemas de saúde na tentativa de controle.

A disseminação pelo ar e contato, as trincheiras, os soldados tossindo a noite em seus dormitórios fechados e com várias pessoas. A hanseníase derrotou de romanos a Napoleão. Diz a lenda que Bonaparte conquistou a confiança das suas tropas ao levar os soldados doentes ao hospital carregando-os pelos braços. Em um texto interessante, falava que o mesmo respirava fundo antes de entrar em contato e carregava segurando o fôlego.

Não é a toa que Clausewitz respeita tanto seu antagonista, antes mesmo da ilha de Elba e a instalação da Segunda Restauração após Waterloo. Dois mil anos se passaram e esses guerreiros invisíveis ainda estão em batalha.

Legionelose

Conhecida como a doença dos legionários. Em poucos dias transmitia uma bactéria pelo ar chamada Legionella pneumophila e levava a dor no corpo, febre, diarreia, mialgia.

Se eu fosse mandar alguém para discutir os tratados de paz e de rendição, este seria o candidato perfeito. Transmitiria uma doença respiratória para toda comitiva, com várias repercussões e sem fungar o nariz em nenhum momento.

Hoje em dia pode ser tratada com antimicrobianos orais, motivo pelo qual caiu seu potencial de arma biológica.

Influenza

Essa merece uma menção honrosa nas guerras. Conseguiu destruir todo o poderio da Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Levou ao fim a guerra devido o estrago realizado nas tropas da Entente e da Aliança. Matou 0,5% da humanidade no pós Guerra.

Levou muitos com ela, como Osler, o presidente americano Woodrow Wilson, desencadeou a sangrenta guerra civil espanhola, reformulou o sistema americano de saúde revolucionado por Rockefeller como grande patrono e patrocinador (o neto morreu durante a pandemia).

Uma verdadeira arma de destruição em massa, transmissão rápida e capacidade de inutilizar e matar. Deixa as equipes assistentes doentes rapidamente e faz faltar uma estrutura básica de saúde. Possui vários soldados de variantes diferentes, onde a A H1N1, de longe, foi a mais mortífera em momentos diferentes da história.

Seu primo pobre, o coronavírus, tem papel de importância na história, mas não chega próximo ao potencial desta que foi a maior de todas as pandemias dos tempos modernos.

Sarampo

A vacinação em massa tirou o posto deste vírus como a maior arma biológica do século XX. Essa doença vasculítica destruía pulmão, cérebro e inflamava ao ponto de deixar a pele toda inflamada e com sangue extravasado de forma sistêmica e sistemática.

A África teve mais de 25 milhões de crianças salvas nas primeiras décadas pós vacinação. Já no mundo, é incalculável o seu real impacto. O Brasil saiu de 30 crianças mortas de até cinco anos por 1.000 habitantes para números abaixo de dois dígitos… e continua caindo!

Sempre que alguém pedir pesquisas de vacinas a longo prazo, esse vírus de coroa semelhante a um novo conhecido nosso pode mostras que quanto mais precoce a imunização (ou seja, em crianças), mais rápido poderemos sair da pandemia e dessa grave crise sanitária.

Enquanto o vírus nos enfrenta numa necessidade de sobrevivência por simbiose, nos consumindo o corpo, o próprio homem se digladia entre si de forma gratuita, matando seus irmãos de sangue e consumindo suas almas. O perfeito exemplo da estupidez e hipocrisia de uma Organização de Nações Unidas que funciona bem em tempos de paz, porém durante guerras é omissa e covarde.

Livro recomendado do dia – Da Guerra de Clausewitz

How long… how long does we have to sing this song?

Elaborado por : FilipeProhaska

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