Saiba a relação entre carga microbiana no paciente e o papel dos profissionais de saúde na transmissão cruzada deste microrganismo.

 

Qual a importância do estudo sobre de Enterococos resistentes?

Enterococus representam 14% das infecções associadas à hospitalização de acordo com o centro de controle e prevenção de infecções. Aproximadamente 35.5% de todas as infecções por enterococos são resistentes à vancomicina. As bactérias resistentes à vancomicina são responsáveis por bacteremia, infecção do sitio cirúrgico e infecções do trato urinário, esses fatores são causa de aproximadamente 1300 mortes por ano. As duas maiores espécies de enterococus resistentes à vancomicina são Enterococcus faecium e Enterococcus faecalis, que representam aproximadamente 77% e 9% cada, respectivamente.

No estudo foram analisados pacientes em precaução por contato, colonizados por enterococos resistentes à vancomicina, a fim de avaliar qual carga bacteriana é associada à transmissão dos profissionais, um resultado significativo para diminuir a transmissão a futuros pacientes.

 

Como ocorre a transmissão de Enterococcus resistentes?

Trabalhadores da área da saúde são vetores significativos para a transmissão de organismos multirresistentes entre pacientes em cuidados intensivos. A maioria dos pacientes colonizados permanece em desconhecimento na falta de uma vigilância ativa. Entretanto, Enterococcus resistente à vancomicina tem se mostrado propensa para colonizações de pele, o que pode aumentar o risco de bacteremia por cateter e infecção cruzada. Os pacientes com a pele colonizada podem também contaminar os profissionais de saúde principalmente nas mãos e vestimentas, realizam a assistência. Essa é uma consideração relevante, pois a contaminação tem se mostrado duradoura por mais de 60 minutos nas mãos e roupas dos profissionais durante ausência da higienização das mãos. Essa contaminação dos profissionais pode conduzir a transmissão das cepas resistentes dos pacientes a outras partes do corpo (infecção cruzada), para o meio o ambiente em torno dele e para outros pacientes sob os cuidados dos mesmos profissionais de saúde.

 

A Carga Bacteriana exerce influência na transmissão?

Se a carga bacteriana de cepas resistentes aumenta o risco de transmissão é desconhecido, entretanto vários estudos mostram que pacientes colonizados podem transmitir organismos multirresistentes, incluindo enterococo resistentes à vancomicina para as luvas e jalecos de profissionais da área de saúde. Embora esses estudos tenham sido realizados com uma pequena amostra de pacientes os dados são sugestivos e parece existir uma certa associação entre grau de colonização e a contaminação dos profissionais de saúde.

 

Como o estudo se desenvolveu?

A partir da perspectiva de um estudo de coorte, foram analisados 96 Pacientes de UTI colonizados por enterococcus resistentes e 5 trabalhadores da saúde por paciente para estimar a contribuição da carga bacteriana na transmissão da resistência de pacientes para luvas e jalecos de profissionais de saúde. 100 pacientes foram recrutados da UTI no período de  1 de janeiro a 15 de novembro de 2017.

Os pesquisadores eram notificados a cada cultura positiva recente da resistência (menos de 72h) e os cinco primeiros profissionais a entrarem em contato com o paciente foram avaliados sequencialmente antes de retornarem as atividades assistenciais.

O papel e duração da assistência dos profissionais de saúde eram observados pelos pesquisadores, assim como as características dos pacientes, tais como: uso ou não de ventilação mecânica, tipo do cateter utilizado, CID, idade, sexo e raça. Todos esses dados eram retirados dos prontuários eletrônicos.

 

Quais eram as áreas de cultura para amostras?

As áreas de cultura para amostra eram: perianal, peito, fossa anticubital, mãos (dorsos dos dedos e palmas das mãos), e fezes, retirados por swab e colocados em recipientes para  mensurar a carga bacteriana.  Cinco interações entre os profissionais e os pacientes eram observadas rapidamente depois que as amostras dos pacientes eram coletadas após o cuidado em pacientes com enterococos resistentes à vancomicina.

 

Como foi feita a Análise das amostras e quais os resultados?

As amostras eram analisadas quanto à presença da resistência no laboratório, com um índice de confiabilidade de 95%. Dos 100 pacientes, foram analisadas as amostras de 96 pacientes. Foram observadas 479 interações entre pacientes e profissionais de saúde, sendo 71 (15%) contaminadas pelo Enterococcus.  Em cada amostra de paciente houve uma interação entre o aumento da carga bacteriana e a contaminação do profissional de saúde.

A frequência com proporção e tipo de resistência foram calculados em LOG para descrever as características clínicas da amostra.  15% dos pacientes com resistência à vancomicina conduziram a contaminação dos profissionais de saúde com a cepa resistente. O estudo mostrou que pacientes que transmitem a resistência para os profissionais têm maior carga bacteriana distribuída entre as regiões perianal, de pele e fezes.  A contaminação dos trabalhadores foi associada com a carga bacteriana do Enterococus na região perianal (1,37), pele (2,14) e em fezes (1.95).  Comparado com a colonização com Enterococuus fecalis, a colonização com Enterococcus faecium foi associada com a maior carga bacteriana e maiores formas de transmissão para profissionais da saúde. Pacientes colonizados com E. faecium na pele são 9x mais propensos a transmitir aos profissionais de saúde, segundo o estudo.

 

Qual a importância do estudo?

O estudo foi o primeiro a quantificar a carga bacteriana e examinar seu papel na transmissão da resistência, identificando como área mais comum a fossa cubital, devido a exames de sangue e etc., resultando num aumento da eficiência de transmissão, esta área também faz parte do ambiente positivo para a resistência.

O estudo mostra que pacientes de UTI com maior carga bacteriana são mais propensos a transmitirem Enterococcus resistentes à vancomicina para os profissionais de saúde, esses resultados tem implicação direta para buscar a descolonização de Enterococcus resistentes à vancomicina  e controlar outras infecções. Esses estudos podem ter maior relevância para práticas de controle de infecção assim como o uso de precaução por contato e determinação de prevenção para pacientes com maiores níveis de carga bacteriana. O potencial dessas bactérias multirresistentes deve ser explorado futuramente com estudos e pesquisas.

 

Fonte: Jacson SS et cols. Bacterial urden is associated with increased transmission to health care workers from patients colonized with vancomycin-resistantnterococcus. American Journal of Infection Control 47 (2019) 13-17.

Sinopse por: Sarah França Villela.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5937616061479282

e-mail: sarah_fvillela@hotmail.com


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