Sobre
Infecção Hospitalar
e suas Interfaces na Área da Saúde
prefácio

introdução

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Prefácio
O prefácio deve informar o leitor sobre o livro: seu conteúdo, formato, dados subjacentes, sobre o autor ou outras informações que o prefaciador julgue importantes para a compreensão do mesmo e seu entorno. Portanto pretendo abordar alguns aspectos deste livro que julgo relevantes para sua compreensão, bem como, visando contribuir, se possível, para contextualizá-lo. É óbvio que em fazendo isto estarei adicionando meu próprio viés e idiossincrasia.
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Entre os inúmeros tópicos abordados com profundidade e propriedade destaco dois que permeiam toda a obra. O livro, embora tendo como tema central o controle da infecção hospitalar, fala também de ética e ecologia. A ética de não causar dano ao paciente expondo-o a infecções desnecessárias e a ecologia da manutenção do equilíbrio no ambiente do organismo humano com seus parasitas.
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Ética é a subdivisão da filosofia que estuda os aspectos ligados com a moral das relações humanas, portanto trata também das relações entre profissionais e destes com seus clientes. Hipócrates advertia seus discípulos, em um de seus aforismos, que não causar dano era um dos princípios fundamentais das atividades dos esculápios em todos os lugares e épocas; que estes deveriam curar quando possível, mitigar as dores freqüentemente, consolar sempre e nunca causar danos. Do ponto de vista ético não se pode aceitar portanto, que um paciente busque um serviço de saúde para cura ou alívio de suas dores e acabe adquirindo um problema maior do que tinha ao procurar ajuda.
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Desta forma quando se fala em controle da infecção hospitalar, além de uma atividade técnica específica, se está falando de uma conduta ética recomendável e desejável. Controle da infecção hospitalar é componente básico de qualquer programa de garantia da qualidade e não há nada mais ético do que oferecer serviços da mais alta qualidade possível.
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Por outro lado, nunca é demais enfatizar, como fica amplamente discutido ao longo do livro, que infecção hospitalar não necessariamente significa falta de qualidade no atendimento. Sabe-se que um percentual de infecção sempre ocorrerá devido ao comprometimento do equilíbrio ecológico que permitia a convivência pacífica entre hospedeiro e agente infeccioso. A quebra deste equilíbrio pode ser devida a uma agressão ao hospedeiro com queda de sua imunidade permitindo ao agente infeccioso prevalecer em condições favoráveis. Este fato contudo não significa omissão, imperícia ou imprudência que caracterizariam erro médico, ou seja, profissional causando dano ao seu paciente. O conceito ecológico é importante para que se entenda esse evento e ele está presente em todo o livro.
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Os dois conceitos - ética e ecologia - se fundem no estudo da infecção hospitalar e são a essência deste livro. É interessante que a  fusão dos dois conceitos se faça desta forma porque eles na verdade são complementares. A ecologia é a ciência da sobrevivência das espécies, entre elas a humana; sobrevivência humana sem propósito ético fica vazia e sem sentido. 
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Hipócrates dizia que “a vida é curta e a arte é longa; a ocasião fugidia; a esperança falaz e o julgamento difícil”. Este livro cobre bem as vertentes arte e ciência da medicina. Terá vida longa como a primeira e será revisado e reescrito como convém à segunda, sempre que necessário para atualizá-lo e fugir da ocasião, passageira. Tenho certeza que várias gerações de profissionais da saúde se beneficiarão desta obra cujo valor será atestado por elas.
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Desde já, contudo, o valor da obra se evidencia pela abrangência e profundidade da abordagem ao tema. Poucas vezes ele terá sido revisado sob tantos aspectos. São cobertos todos os setores do hospital, inclusive os menos tradicionais. Até mesmo a comunidade na qual o hospital está inserido foi envolvida: são discutidos o atendimento domiciliar; o destino dos resíduos sólidos e líquidos; o controle dos consultórios odontológicos; as condições de biotérios e necrotérios entre outros aspectos extra-muros. A preocupação em facilitar a tarefa do leitor se estende à distribuição de todas as síndromes infecciosas em capítulos separados. Todos os agentes patológicos  foram discutidos, inclusive os assim chamados patógenos emergentes. A atualização do conteúdo pode ser comprovada pela extensa bibliografia. Em síntese Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde veio para impor-se como uma referência definitiva na literatura médico-hospitalar brasileira.
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A história deste livro começou a ser escrita no final da década de 70 quando foi criada, sob coordenação do Dr. Antonio Tadeu Fernandes, a CCIH do Hospital do SEPACO. Aquela iniciativa, pioneira em muitos aspectos, não só contribuiu para o Hospital como também desencadeou o movimento que redundaria no Núcleo Paulista de Estudos e Controle da Infecção Hospitalar que posteriormente se transformaria na Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar (APECIH). Portanto este livro traz em seu bojo muito da história e desenvolvimento do controle da infecção hospitalar no Brasil nos últimos anos.
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A equipe multiprofissional que escreveu este livro representa várias tendências do conhecimento: assistencial em hospitais públicos, privados, de  vários portes, ligados à comunidade acadêmica ou não. Portanto, a multiplicidade de enfoques contribuirá para que o leitor tenha uma amplitude de espectro grande, tornando o conteúdo aplicável a realidades muito próximas daquelas com a qual ele está acostumado. O enfoque multiprofissional também destaca a importância da integração de todos os serviços do hospital no controle da infecção hospitalar.
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Por fim uma palavra sobre o idealizador do livro. Com Dr. Antonio Tadeu Fernandes compreendi o que é controle de infecção hospitalar, sua importância, seus métodos e seu alcance; sou grato a ele por isto como creio seus leitores também o serão. Dr. Tadeu consegue juntar nesta obra o humanismo e a ciência que caracterizam sua vida profissional. Sua honestidade e integridade pessoais transparecem do começo ao fim. Nada compromete seu amor pela verdade científica e humana. Tenho certeza de que os profissionais de saúde terão muito mais a apreender com este livro além do controle da infecção hospitalar. Nele está a grandeza humana do idealizador que inspirou sua equipe a ir além das expectativas.
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Conheço alguns dos outros editores e vários colaboradores: trata-se de uma equipe de primeira linha cuja experiência somada dificilmente poderá ser ultrapassada. Agradeço a contribuição deles para a melhoria das condições de atendimento médico-hospitalar e, em última análise, das condições de saúde no país. Sinto-me honrado em poder prefaciar o trabalho desta equipe.

Haino Burmester

Introdução
Quando em 1979, inspirados pelo desenlace de um de seus mantenedores, ocorrido em outro hospital desta cidade, alguns integrantes do Hospital do SEPACO se reuniram no propósito de formar uma equipe que se dedicasse ao estudo e ao trabalho voltados à infecção hospitalar, me foi possível não lembrar de Semmelweis que morreu sem ver reconhecidas suas hoje irrefutáveis evidências sobre transmissão de moléstias adquiridas por contágio. Ele preconizava, como ainda preconizamos hoje, a importância de se lavar as mãos. Muito simples, não? Não! 
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A imensa escuridão da história até que se desvendassem as primeiras evidências de que minúsculos microrganismos são capazes de dizimar populações inteiras de seres “desenvolvidos” prova que nada é simples no mundo do desenvolvimento. Tudo acontece à sua hora.
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Em 1979, no SEPACO, parece que todas aquelas pessoas que se debruçavam sobre um assunto inexplicavelmente pouco conhecido em nosso meio até então intuíram que era chegada a hora. Talvez a nossa hora. E contra os ensinamentos de Semmelweis, no sentido figurado, resolveram que não lavaríamos as nossas mãos sobre o sofrimento de tanta gente, os dias a mais de internação, as preocupações em decorrência da atividade dos hospitais: a infecção hospitalar. 
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À época, mesmo as informações bibliográficas sobre experiências de outros centros mais desenvolvidos eram eivadas de disparidades e freqüentemente não elucidavam dúvidas banais, porém constantes, que surgiam. 
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Acho que isso foi o fator preponderante que ensinou a todos que, se quisessem avançar no assunto, deveriam forçosamente ousar mais e desenvolver experiências próprias e criativas, nunca deixando de se esforçarem para motivar um número cada vez maior de pessoas a se envolverem com o assunto, trazendo também suas próprias experiências. Assim surgiu o que se tornou o Núcleo Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar que tinha como sede o Hospital do SEPACO, mas no qual já pontificavam profissionais de outros hospitais, alguns dos quais também colaboradores deste livro que hoje com prazer prefaciamos. Daí a se tornar agente difusor do programa de controle de infecção hospitalar, centro de treinamento credenciado pelo Ministério da Saúde foi somente conseqüência. Este programa criou condições e critérios mínimos para o desenvolvimento do controle de infecção hospitalar nos hospitais do país. Para o SEPACO acabou por se tornar fonte de enormes vantagens que continuam a gerar frutos. 
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Tudo isto posto, era necessário divulgar esta experiência, era mandatório dividir, compartilhar e mesmo submeter ao julgamento da história esta maravilhosa jornada que esperamos nunca termine. A forma era publicar. O Tadeu não conseguiria, nem que se quisesse, fugir a essa responsabilidade. Ele demorou, negociou, tergiversou, mas acabou por se render e resolveu escrever e pediu a tantos que escrevessem para este compendio o extrato de seu melhor conhecimento. Tenho absoluta certeza de que esta obra será de referência obrigatória para todos os que se preocupam com o atendimento à saúde. 
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Como administrador agradeço ao Tadeu os benefícios trazidos por seu trabalho aos hospitais do país. Como médico agradeço a contribuição à ciência. Como amigo me orgulho pela ventura de ter podido compartilhar com ele muitos momentos deste trabalho intercalados por descontraídos “papos” e renhidas partidas de jogo de botão. 

Saúde!

Edelton Ghersel Narchi 


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