Resistência antibiótica
(relacionado ao capítulo 85)

 

Betalactamases de espectro estendido

A Klebsiella pneumoniae é uma importante causa de pneumonia, principalmente em alcoólatras, e de infecção do trato urinário, seguida por bacteremia secundária. Vem aumentando sua incidência em muitas instituições. é tipicamente resistente às penicilinas de espectro estendido como a ampicilina, ticarcilina e piperacilina, pela produção de uma beta-lactamase. As beta-lactamases de espectro estendido ampliam a resistência para várias cefalosporinas, mas persiste a sensibilidade aos carbapenens e aos inibidores das beta-lactamases, como o ácido clavulânico. Existem dois genes mediados por plasmídeo que codificam a informação para a produção da beta-lactamase AmpC: MIR-1 e ACT-1. O primeiro não é indutível, mas o segundo é, pois sua produção aumenta cinco vezes na presença de cefoxitina. Além de ser uma potente beta-lactamase, não é inibida pelo ácido clavulânico, sulbactam ou tazobactam e por alteração em receptores da membrana externa bacteriana, essa cepa de Klebsiella é também resistente aos carbapenêmicos (imipenem), transformando-se em um importante problema terapêutico.

Foi identificado um surto por klebsiella pneumoniae produtora de betalactamase de espectro estendido, só sensível aos carbapenens, amicacina e quinolonas. Esta UTI de um hospital da Espanha entre 1993-1995 teve um surto por este mesmo microrganismo, observando-se um índice de 8,3%, que foi controlado com precauções de barreira e restrição ao uso de cefalosporinas de terceira geração. Após este período, o consumo destas drogas caiu a índices próximos a zero, mas houve um aumento progressivo no uso de cefipime, alterando de 3,2 (1996) para 12,2 DDD/100 admissões (1999). Após a restrição ao consumo de cefipime, caindo para 2,2 DDD/100 admissões, houve uma progressiva queda na incidência de infecções por estes agentes, chegando a 0,6% em dezembro de 2000. estes dados mostram que também as cefalosporinas de quarta geração exercem pressão seletiva para as betalactamases de espectro estendido.

Apresentações:

  1. Reisbig M, Hanson N. The Plasmid-mediated AmpC beta-lactamase, ACT-1, is inducible in a multiply resistant Klebsiella pneumoniae isolate. Program and abstracts of the 41st Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy; December 16-19, 2001; Chicago, Illinois.
  2. Bradford PA, Urban C, Mariano N, et al. Imipenem resistance in Klebsiella pneumoniae is associated with the combination of ACT-1, a plasmid-mediated AmpC beta-lactamase, and the loss of an outer membrane protein. Antimicrob Agents Chemother. 1997;41:563-569.
  3. Pujol M., Peña C., Tubau F., Dominguez MA., Sora M., Ariza J., Gudiol F.. Emergence of an Extended-Spectrum ß-Lactamase Producing Klebsiella pneumoniae Following an Increased Use of Cefepime in ICUs. Program and abstracts of the 41st Interscience Conference on Antimicrobial Agents and Chemotherapy; December 16-19, 2001; Chicago, Illinois.

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