Guia para tratamento de infecções relacionadas aos cateteres vasculares


Recomendações baseadas em evidências para o diagnóstico e tratamento das infecções relacionadas aos cateteres vasculares

  1. Recomendações gerais
    1. Cultura de cateteres
      1. A cultura dos cateteres somente deve se realizada quando houver suspeita de infecção relacionada. (B-II)
      2. A cultura quantitativa ou semiquantitativa dos cateteres é recomendada. (A-II)
      3. Métodos qualitativos para cultura de cateter não são recomendados. (E-II)
      4. Quando um cateter é encaminhado para cultura, devem ser analisados sua ponta e o segmento subcutâneo. (B-III)
      5. Na suspeita de infecção relacionada ao cateter da artéria pulmonar, a cultura da ponta do introdutor oferece melhores resultados que a da ponta do cateter (A-II)
      6. Quando disponível a coloração pela laranja acridina, deve ser considerada para o diagnóstico rápido de infecção relacionada ao acesso vascular. (B-II)

    2. Hemoculturas
      1. Duas amostras, pelo menos uma de veia periférica, devem ser colhidas de todos pacientes com suspeita de infecção da corrente sangüínea relacionada ao acesso vascular. (A-II)
      2. Hemoculturas quantitativas pareadas com ou sem monitoramento contínuo da sua positividade para se detectar o diferencial de tempo, quando se quer diagnosticar infecção da corrente sangüínea relacionada ao cateter, sem remover previamente este dispositivo. (A-II)

  2. Recomendações específicas
    1. Cateteres venosos periféricos
      1. Diante da suspeita de infecção relacionada a cateter periférico, ele deve ser removido, sua ponta encaminhada para cultura semiquantitativa e duas hemoculturas distintas devem ser colhidas previamente ao início da antibioticoterapia. (A-II)
      2. Na presença de sinais flogísticos no local de inserção do cateter, o exudato deve ser colorido pelo método do Gram e submetido a cultura. (A-II)

    2. Cateteres venosos centrais não tunelizados
      1. Os cateteres venosos centrais não devem ser rotineiramente removidos em pacientes com febre associada a quadro leve ou moderado. (D-III)
      2. Os cateteres venosos centrais devem ser removidos e encaminhados para cultura, quando o paciente apresentar eritema ou saída de secreção purulenta pelo seu sítio de inserção ou sinais clínicos de sepse. (B-III)
      3. Se a hemocultura estiver positiva e o cateter removido com fio guia revelar colonização significante, o dispositivo deve ser retirado e um novo cateter inserido em outro acesso. (B-III)
      4. Em alguns pacientes sem evidência de infecção da corrente sangüínea, quando o microrganismo isolado é o Staphylococcus coagulase negativo, e não existe suspeita de infecção local ou complicações metastáticas, o dispositivo pode ser mantido. (C-III)
      5. Se não houver contra-indicação, o ecocardiograma transesofágico deve ser realizado em todos os pacientes com infecção da corrente sangüínea relacionada ao cateter causada por S. aureus, para descartar a presença de vegetações, porque artigo recente relata altos índices de endocardite. (B-II)
      6. Se o ecocardiograma transesofágico não está disponível e o resultado do ecocardiograma transtorácico é negativo, a duração da antibioticoterapia para pacientes com infecção da corrente sangüínea relacionada ao cateter causada por S. aureus, deve ser decidida caso a caso. (não classificado no original)
      7. Após a remoção de um cateter colonizado associado à infecção da corrente sangüínea, a bacteremia ou fungemia persistirem ou não houver melhora clínica (especialmente após três dias de remoção do cateter e início da antibioticoterapia), está indicada uma pesquisa detalhada de trombose séptica, endocardite infecciosa e outras infecções metastáticas. (B-III)
      8. Pacientes febris com doença de válvula cardíaca ou com neutropenia, cuja ponta de cateter revele crescimento significativo de S. aureus ou Candida, na ausência de infecção da corrente sangüínea, devem ser monitorados rigorosamente quanto ao desenvolvimento de infecção e hemoculturas devem ser solicitadas. (B-II)
      9. Após a remoção dos cateteres em pacientes com infecção da corrente sangüínea, um novo cateter venoso central não tunelizado pode ser inserido, após início da antibioticoterapia. (C-III)

    3. Cateteres venosos centrais tunelizados ou implantáveis
      1. Avaliação clínica é recomendada para determinar se esses cateteres são fonte de infecção local ou da corrente sangüínea. (B-III)
      2. Para infecções complicadas esses cateteres devem ser removidos. (B-II)
      3. Na tentativa de salvar esses cateteres, em casos de infecção não complicada, o selo antibiótico pode ser usado por duas semanas, associado a antibioticoterapia sistêmica, para tratamento de bacteremia relacionada aos cateteres devidos a S. aureus, S. coagulase negativo e bacilos Gram negativos, nos casos suspeitos de infecção via intraluminal, na ausência de infecção do túnel de acesso ou bolsa do cateter implantado. (B-II)
      4. Infecção na bolsa do cateter implantável ou do túnel dos cateteres tunelizados requerem a remoção do dispositivo e antibioticoterapia geralmente por sete a dez dias. (C-III)
      5. A reinserção de um cateter tunelizado deve ser adiada após o início da antibioticoterapia, baseada na suscetibilidade do microrganismo isolado em hemocultura e depois de repetidas hemoculturas resultarem negativas. (B-III)
      6. Quando possível, a inserção de um novo cateter tunelizado, após infecção da corrente sangüínea relacionada a este dispositivo, deve ser adiada após o término da antibioticoterapia e repetidas hemoculturas colhidas de cinco a dez dias resultarem negativas. (C-III)

    4. Cateteres de hemodiálise
      1. O uso de vancomicina para S. aureus sensível a oxacilina não é recomendado pelo risco de pressão seletiva; a oxacilina é recomendada, pois além disto, tem melhor ação que a vancomicina sobre as cepas suscetíveis. (B-III)
      2. É recomendado selo antibiótico para o tratamento destas infecções, quando o cateter é mantido. (B-III)
      3. Infecções da corrente sangüínea relacionadas ao cateter causadas por S. coagulase negativo podem ser tratadas sem a remoção do dispositivo, mas requer um prolongamento da antibioticoterapia. (B-II)
      4. Adicionalmente a antibioticoterapia e a remoção do cateter para as infecções da corrente sangüínea relacionadas, cultura das narinas para S. aureus e o tratamento dos portadores com creme de mupirocin (2%) é recomendado para todos os pacientes que necessitam de acesso venoso. (B-II)
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