Foi publicado recentemente uma nova versão do guia europeu sobre o tratamento de pneumonia hospitalar com a participação das seguintes entidades: European Respiratory Society, (ERS), European Society of Intensive Care Medicine (ESICM), European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) and Asociación Latinoamericana del Tórax (ALAT).

Eles seguiram a metodologia das evidências científicas, procurando responder a sete questões clínicas, buscando na PUBMED e Cochrane, artigos em inglês que respondessem a sete questões clínicas utilizando a estratégia PICO de busca (paciente ou problema, intervenção, controle e resultados. Foram encontrados 5.560 artigos e selecionados apenas 112, que eram principalmente ensaio clínico, revisões sistemáticas ou estudos observacionais. As evidências científicas foram classificadas de acordo com o sistema GRADE. Entretanto os autores não declararam conflito de interesses, o que compromete a validade desta revisão, além de algumas conclusões serem bastante controvertidas. Os autores também não deixam claro o motivo da exclusão dos artigos científicos.

Foram pesquisadas as evidências científicas para as seguintes questões, para as quais sintetizamos as principais conclusões:

  1. Deve ser solicitada cultura quantitativa de secreção distal previa à introdução de antibióticos na suspeita de pneumonia hospitalar.
  2. Antibioticoterapia de espectro reduzido para pacientes que desenvolvem pneumonia hospitalar, sem fatores de risco para multirresistentes. Esses fatores são os seguintes: hospitalização por pelo menos dois dias nos últimos 3 meses; pacientes oriundos de assistência domiciliar ou instituições para doentes crônicos; pacientes em uso de procedimentos dialíticos; pacientes com feridas crônicas; pacientes em contato com portadores de multirresistentes; pneumonia hospitalar com início precoce (até sete dias de internação em pacientes em uso prévio de antibióticos. Foram sugeridos para esses casos os seguintes antibióticos em esquema empírico: (ertapenem, ceftriaxona, cefotaxima, moxifloxacina ou Levofloxacina).
  3. Adequar a antibioticoterapia empírica ao resultado da cultura.
  4. Antibioticoterapia por 7 a 8 dias exceto nas seguintes situações (14 dias): imunodeficiência, fibrose cística, empiema, abscesso pulmonar, cavitação e pneumonia necrotizante.
  5. Utilização de biomarcadores para acompanhar a evolução do paciente. Os autores preferem que se faça evolução clínica: temperatura, raio x, parâmetros ventilatórios e de oxigenação, hemograma, entre outros.
  6. Não recomendam a utilização isolada da dosagem de procalcitonina sérica para determinar a duração da antiboticoterapia.
  7. Não recomendam a descontaminação oral rotineira com clorexidina em pacientes com ventilação mecânica. Na minha opinião, existe meta análise bem feita comprovando a eficácia na redução destes episódios pelo emprego de clorexidina. (ver: Journal of Hospital Infection 84 (2013) 283-293)

Concluindo, pelos principais motivos apontados acima, não considero esta uma boa revisão do tema, sob o ponto de vista das evidências científicas.

 

Fonte: Torres A. International ERS/ESICM/ESCMID/ALAT guidelines for the management of hospital-acquired pneumonia and ventilator-associated pneumonia. (artigo abaixo)

 

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes