O Desafio das Infecções Fúngicas no Século XXI


8. Fungos Emergentes como Patógenos

Atualmente, uma grande variedade de fungos é isolada em pacientes neutropênicos, que anteriormente não era considerada como patógena. Muitos são fungos da terra ou de vegetais e portanto a maioria dos laboratórios de microbiologia não consegue identificá-los, trazendo consideráveis desafios para o diagnóstico e tratamento destas doenças.

Fusarium

Fusarium é um fungo semelhante histologiacamente ao Aspergillus. É o fungo de vegetais mais encontrado na natureza, sendo reconhecido como um patógeno humano. Ele infecta pacientes neutropênicos com freqüência crescente. A doença manifesta-se com febre e grande lesões cutâneas ulcerativas que evoluem para necrose, o que também dificulta o diagnóstico diferencial com Aspergillus, porém ao contrário deste, é freqüente a hemocultura positiva em casos de fusariose disseminada.

As infecções por Fusarium podem acometer pacientes imunocompetentes ou imunocomprometidos. Os primeiros desenvolvem infecção que segue trauma, queimadura, ou uma grande cirurgia. Infecções são devastadoras em pacientes imunocomprometidos, particularmente com síndrome de rejeição enxerto-doador (GVHD) ou neutropenia. A sua disseminação hematogênica envolve múltiplos órgaõs, inclusive seios paranasais, pulmões, pele, cérebro, ossos e articulações. A fungemia na fusariose disseminada é detectada por hemocultura em 50% dos casos ou mais [12], pois o Fusarium é totalmente angioinvasivo e está presente na circulação sangüínea em quantidade suficiente para ser detectado por este exame. Histologicamnte observamos fungos de filamentosos com hifa septada e ramificações, indistingüível do Aspergillus. A infecção por Fusarium é uma ameaça a vida e está associada a pior prognóstico. [13]

Paecilomyces

Paecilomyces lilacinus ganhou notoriedade há mais de uma década atrás como um dos fungos capazes de causar ceratite em pacientes que utilizam lentes de contato. [14] Infecção invasiva profunda foi identificada recentemente em pacientes imunocomprometidos. A doença se manifesta com lesões de pele e o fungo histologicamente é indistingüível do Aspergillus e Fusarium.

Feohifomicose

A feohifomicose é uma infecção que se manifesta como um processo crônico e destrutivo, geralmente seguindo-se a inoculação traumática, portanto localizada principalmente em extremidades, freqüentemente os pés. Esta doença pode ser causada por uma grande variedade de generos de fungos, inclusive Bipolaris, Exserohilum (que cresce na grama), e Exophiala. Todos estes fungos aparecem idênticos nos tecido, logo para seu diagnóstico etiológico devem ser cultivados e examinados ao microscópio a partir de sua cultura. A infecção é normalmente curável com ressecção cirúrgica da lesão e terapia antifúngica.

Trichosporon

Trichosporon beigelii é um fungo que se mantém nas hastes dos pelos do couro cabeludo, corpo e região púbica, como parte da flora normal, mas pode causar uma infecção superficial, chamada piedra branca. A prevalência da disseminação hematogênica está aumentando entre pacientes neutropênicos. [12] Ela se manifesta como múltiplas lesões de pele papulares, eritematosas ou purpúricas, sendo freqüentemente fatal. [12]

Outros Fungos

Muitos outros fungos estão ganhando atenção como patógenos humanos. A Malassezia é parte da flora humana normal e pode causar infecção em hospedeiros imunocomprometidos. Penicillium marneffei e Pythiosis insidiosi são fungos ambientais que podem causar infecções graves, ameaçadoras da vida em pacientes imunocomprometidos. P. marneffei ganhou particular atenção durante a pandemia de AIDS, ao produzir doença clinicamente indistingüível da histoplasmose disseminada. Pseudallescheria boydii é um fungo da terra e da vegetação, agente etiológico do micetoma, uma infecção subcutânea. Em pacientes imunossuprimidos, causa pseudalesqueriose, uma doença das partes moles e dos pulmões, que se assemelha à aspergilose (clinicamente e histologicamente) e também pode disseminar-se hematogenicamente.

imprima esta página

< Índice | Próxima >