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8. Fungos Emergentes
como Patógenos
Atualmente, uma grande
variedade de fungos é isolada em pacientes neutropênicos,
que anteriormente não era considerada como patógena.
Muitos são fungos da terra ou de vegetais e portanto a maioria
dos laboratórios de microbiologia não consegue identificá-los,
trazendo consideráveis desafios para o diagnóstico
e tratamento destas doenças.
Fusarium
Fusarium é
um fungo semelhante histologiacamente ao Aspergillus. É
o fungo de vegetais mais encontrado na natureza, sendo reconhecido
como um patógeno humano. Ele infecta pacientes neutropênicos
com freqüência crescente. A doença manifesta-se
com febre e grande lesões cutâneas ulcerativas que
evoluem para necrose, o que também dificulta o diagnóstico
diferencial com Aspergillus, porém ao contrário
deste, é freqüente a hemocultura positiva em casos de
fusariose disseminada.
As infecções
por Fusarium podem acometer pacientes imunocompetentes ou
imunocomprometidos. Os primeiros desenvolvem infecção
que segue trauma, queimadura, ou uma grande cirurgia. Infecções
são devastadoras em pacientes imunocomprometidos, particularmente
com síndrome de rejeição enxerto-doador (GVHD)
ou neutropenia. A sua disseminação hematogênica
envolve múltiplos órgaõs, inclusive seios paranasais,
pulmões, pele, cérebro, ossos e articulações.
A fungemia na fusariose disseminada é detectada por hemocultura
em 50% dos casos ou mais [12], pois o Fusarium é totalmente
angioinvasivo e está presente na circulação
sangüínea em quantidade suficiente para ser detectado
por este exame. Histologicamnte observamos fungos de filamentosos
com hifa septada e ramificações, indistingüível
do Aspergillus. A infecção por Fusarium
é uma ameaça a vida e está associada a pior
prognóstico. [13]
Paecilomyces
Paecilomyces lilacinus
ganhou notoriedade há mais de uma década atrás
como um dos fungos capazes de causar ceratite em pacientes que utilizam
lentes de contato. [14] Infecção invasiva profunda
foi identificada recentemente em pacientes imunocomprometidos. A
doença se manifesta com lesões de pele e o fungo histologicamente
é indistingüível do Aspergillus e Fusarium.
Feohifomicose
A feohifomicose é
uma infecção que se manifesta como um processo crônico
e destrutivo, geralmente seguindo-se a inoculação
traumática, portanto localizada principalmente em extremidades,
freqüentemente os pés. Esta doença pode ser causada
por uma grande variedade de generos de fungos, inclusive Bipolaris,
Exserohilum (que cresce na grama), e Exophiala. Todos
estes fungos aparecem idênticos nos tecido, logo para seu
diagnóstico etiológico devem ser cultivados e examinados
ao microscópio a partir de sua cultura. A infecção
é normalmente curável com ressecção
cirúrgica da lesão e terapia antifúngica.
Trichosporon
Trichosporon beigelii
é um fungo que se mantém nas hastes dos pelos do couro
cabeludo, corpo e região púbica, como parte da flora
normal, mas pode causar uma infecção superficial,
chamada piedra branca. A prevalência da disseminação
hematogênica está aumentando entre pacientes neutropênicos.
[12] Ela se manifesta como múltiplas lesões de pele
papulares, eritematosas ou purpúricas, sendo freqüentemente
fatal. [12]
Outros Fungos
Muitos outros fungos
estão ganhando atenção como patógenos
humanos. A Malassezia é parte da flora humana normal
e pode causar infecção em hospedeiros imunocomprometidos.
Penicillium marneffei e Pythiosis insidiosi são
fungos ambientais que podem causar infecções graves,
ameaçadoras da vida em pacientes imunocomprometidos. P.
marneffei ganhou particular atenção durante a
pandemia de AIDS, ao produzir doença clinicamente indistingüível
da histoplasmose disseminada. Pseudallescheria boydii é
um fungo da terra e da vegetação, agente etiológico
do micetoma, uma infecção subcutânea. Em pacientes
imunossuprimidos, causa pseudalesqueriose, uma doença das
partes moles e dos pulmões, que se assemelha à aspergilose
(clinicamente e histologicamente) e também pode disseminar-se
hematogenicamente.

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