O Desafio das Infecções Fúngicas no Século XXI


5. Candida: O Paradoxo Diagnóstico

As candidíases localizadas, como as formas muco-cutâneas, esofagite e infecção do trato urinário (candidúria) não representam necessariamente uma séria ameaça à vida do paciente e, na grande maioria dos episódios, não ocorre disseminação hematogênica. [8] Porém, existe sempre a possibilidade disto ocorrer, dependendo da relação que se estabelece entre o microrganismo e o hospedeiro. Fatores de risco adicionais clássicos são: internação em unidade de terapia intensiva, uso de cateteres venosos centrais, prescrição de antibióticos de amplo espectro, diabetes e diálise.

O diagnóstico de candidíase disseminada apresenta dificuldades. A melhor ferramenta é a hemocultura, porém ela tem valor limitado. Até mesmo em pacientes com neutropenia grave ou imunossuprimidos, com suspeita forte de candidemia, as hemoculturas são positivas em cerca de 50% dos episódios. [9] Estão sendo estudadas estratégias diagnósticas não baseadas em hemoculturas, mas ainda não foi encontrada alternativa fidedigna.

Existem algumas pistas diagnósticas que, embora infreqüentes, podem ser úteis em pacientes selecionados. Lesões nodulares cutâneas podem acontecer em pacientes imunocomprometidos com candidemia e claramente indicam invasão da corrente sangüínea e consequentemente a disseminação. A biópsia das lesões confirma o diagnóstico. Imagens radiológicas, tomografia computadorizada ou ressonância magnética também pode ser úteis ao identificar lesões disseminadas no pulmão, fígado, baço, ou rim, embora os achados não sejam patognomônicos.

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