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4. As Mudanças na Epidemiologia
das Infecções por Candida
Nas duas últimas
décadas, observamos mudanças significativas na epidemiologia
da candidemia, devido à diversificação das
espécies envolvidas. Nos anos sessenta, a Candida albicans
representava 85% a 90% dos episódios. Porém, um estudo
realizado no MD Anderson Cancer Center sobre a etiologia das candidíases
entre 1988 e 1992, identificou que a incidência de Candida
não-albicans havia ultrapassado a de C. albicans.
Apenas 42% de casos de candidemia era causado por C. albicans,
enquanto que as demais espécies deste gênero respondiam
pelos demais casos. Os destaques foram: C. tropicalis (18%),
C. parapsilosis (17%), C. glabrata (11%), C. krusei
(4%), entre outras. [3] Os autores do estudo imaginaram que o uso
profilático de fluconazol pode ser responsabilizado por esta
alteração. Resultados semelhantes foram informados
em outros estudos envolvendo pacientes não neoplásicos
[4] e em UTI neonatal, onde a C. parapsilosis é vista
como a espécie não albicans dominante neste grupo
de paciente. [5]
O aparecimento de
infecções por Candida não-albicans é
particularmente importante porque muitas cepas são resistentes
aos derivados azólicos, tornando sua identificação
e teste de sensibilidade aos antifúngicos essenciais para
um bom suporte laboratorial (tabela 2). Entretanto, a maioria dos
serviços de microbiologia fornece no resultado apenas o isolamento
de "leveduras", "Candida sp" ou no máximo
"Candida não-albicans". A Candida tropicalis
pode causar doença invasiva [3], porém a C. parapsilosis
é tipicamente menos virulenta. [6] A C. krusei é
problemática pela sua resistência quase universal aos
derivados azólicos (ex. fluconazol), podendo também
ter reduzida suscetibilidade para outras alternativas terapêuticas.
[7]
Tabela 2. Espécies de Candida
importantes em patologia humana
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C albicans
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C glabrata
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C guilliermondii
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C krusei
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C lusitaniae
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C parapsilosis
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C pseudotropicalis
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C rugosa
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C stellatoidea
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C tropicalis
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