O Desafio das Infecções Fúngicas no Século XXI


14. Um "Novo Azólico": Itraconazol com Ciclodextrina

O itraconazol é uma droga triazólica (tabela 7) que esteve durante muito tempo disponível em cápsulas e, mais recentemente, em solução. Tem um amplo espectro de atividade com eficácia e segurança. Não é mais eficaz para candidíase que a anfotericina B, mas atua sobre outras micoses sistêmicas como histoplasmose, blastomicose e aspergilose. [40,41]

Tabela 7. Os azólicos

Imidazóis

Triazólicos

Segunda geração dos triazólicos

Cetoconazol

Fluconazol

Voriconazol (derivado do fluconazol)


Itraconazol

Ravuconazol (derivado do fluconazol)



Posaconazol (derivado do itraconazol)

A absorção oral a partir da cápsula de itraconazol é variável e melhora quando administrada próxima às refeições, mas atualmente uma formulação líquida está disponível, conferindo 30% a mis de biodisponibilidade. Esta formulação, uma solução com ciclodextrina, deve ser administrada preferencialmente à cápsula, para todos os pacientes imunocomprometidos com micoses sistêmicas. A ciclodextrina é um anel de moléculas de glicose que estabiliza o medicamento e aumenta sua absorção, resultando em maiores níveis séricos e teciduais do itraconazol.

A utilidade clínica de itraconazol esteve previamente limitada pela falta de formulação de parenteral. Uma formulação intravenosa da droga, também solubilizada em ciclodextrina, há pouco tempo está disponível, oferecendo maiores absorção e nível sérico, comparada com qualquer preparação oral. A droga é indicada como uma agente de segunda linha contra aspergilose e como agente de primeira linha para histoplasmose e blastomicose.

A administração intravenosa durante 2 semanas, seguida por administração oral de itraconazol durante 12 semanas demonstrou ser efetiva em cerca da metade dos pacientes imunocomprometidos com aspergilose pulmonar invasiva. [42] Os níveis de itraconazol excederam 250 mg/mL em 91% dos pacientes. Porque o itraconazol é metabolizado pelo fígado e a ciclodextrina é excretada pela urina, a droga deve ser usada com precaução em pacientes com função renal reduzida; inclusive, dados sobre a sua utilização em pacientes com insuficiência renal ainda não estão disponíveis. Portanto, esta droga é contra-indicada na presença de nefrotoxicidade (clearence de creatinina menor que 30 mL/min).

Os efeitos adversos ao itraconazol incluem náusea, dor abdominal, insuficiência hepática e, a doses muito altas, hipocalemia e edema. Devido seu metabolismo estar ligado ao sistema enzimático do citocromo P-450, o itraconazol é associado com múltiplas interações com outros medicamentos.

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