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13. Formulações
Lipídicas dos Poliênicos
A droga de origem
das formulações lipídicas é a anfotericina
B, que na sua formulação clássica apresenta
um estreito índice terapêutico. As formulações
lipídicas de anfotericina B apresentam toxicidade bem menor
(tabela 6).
Tabela 6. Poliênicos
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Nome
genérico
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Nome
comercial
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Anfotericina B
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Fungizone
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Anfotericina B liposomal
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Ambisome
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Anfotericina B dispersão
coloidal (ABCD)
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Amphotec ou Amphocil
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Anfotericina B complexo lipídico
(ABLC)
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Abelcet
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Quando nos referimos
genericamente ao grupo das formulações lipídicas
de anfotericina B deveríamos empregar o termo "formulação
lipídica de anfotericina B" ou LFAB e não apresentação
liposomal. O uso do termo liposomal pode trazer confusão,
pois apenas um dos produtos é um verdadeiro liposoma. Este
composto tem o nome genérico de anfotericina B liposomal
e o nome comercial é Ambisome. Os outros dois produtos, anfotericina
B complexo lipídico (ABLC; nome comercial é Abelcet)
e anfotericina B dispersão coloidal (ABCD; nome comercial
é Amphotec, Amphocil), não são liposomas verdadeiros.
O ABCD é associado com uma maior toxicidade à administração
e não oferece vantagens quando comparado com os outros dois
produtos. [32] Todos os três, porém, geralmente são
menos nefrotóxicos que a anfotericina B. Todas as formulações
lipídicas da anfotericina B ainda causam aumento dos níveis
séricos de creatinina e distúrbios nos eletrólitos,
podendo raramente nos casos mais graves, devido a hipocalemia ou
hipomagnisemia, desestabilizar o sistema de condução
cardíaco, provocando fibrilação ventricular
e óbito durante a infusão. Por isso, é crítico
monitorar os eletrólitos nos pacientes que recebem qualquer
forma desta droga.
Um recente estudo
randomizado, publicado no The New England Journal of Medicine,
demonstrou eficácia comparável e a mesma taxa de sobrevivência
entre pacientes neutropênicos que receberam anfotericina liposomal
e anfotericina convencional na terapêutica antifúngica
empírica. [33] Porém, os pacientes que receberam a
droga liposomica tiveram significativamente menos reações
relacionadas à infusão, como febre (17% vs 44%) e
calafrios (18% vs 54%). A nefrotoxicidade também foi significativamente
menor (19% vs 34%). Em um outro estudo, a anfotericina convencional
demonstrou-se menos efetiva que a anfotericina liposomal no tratamento
de aspergilose disseminada em pacientes imunossuprimidos. [34] Pacientes
que receberam a formulação liposomal tiveram uma melhor
resposta (50% vs 20%, nas infecções confirmadas; 52%
vs 29%, nas suspeitas de infecção) e uma menor letalidade
(22% vs 38%). O complexo lipídico de anfotericina B foi estudado
em pacientes intolerantes à anfotericina convencional. Uma
resposta completa ou parcial foi demonstrada em 42% de pacientes
com aspergilose, 67% de pacientes com candidíase disseminada,
71% de pacientes com zigomicose e 82% de pacientes com fusariose.
Apesar destes dados não serem comparativos, eles sugerem
que as formulações lipídicas de anfotericina
B podem ser efetivas contra várias micoses.
Comparado-se com
a droga convencional, as formulações lipídicas
podem ser administradas em dose mais alta para a eficácia
terapêutica. [36,37] A droga convencional normalmente é
empregada até 1 mg/kg/dia, já as doses dos LFABs podem
variar de 3 a 6 mg/kg/dia. A atividade antifúngica melhora
com doses crescentes do agente. [38] Mas, o LFABs oferecem um índice
terapêutico muito mais amplo que a anfotericina B e sua toxocidade
é menos provável até mesmo com as doses mais
altas administradas por períodos de tempo mais longos. Estes
agentes são indicados para tratar infecções
fúngicas invasivas em pacientes que são refratários
ou intolerantes à formulação convencional.
A anfotericina B liposomal (Ambisome) apresenta também uma
indicação específica para uso como terapia
empírica para possíveis infecções fúngicas
em pacientes neutropênicos.
Os LFABs são
drogas de alto custo. Enquanto a dose de um dia de tratamento com
a anfotericina convencional sai nos EUA por cerca de $20, uma formulação
lipídica pode chegar a $1000 por dia. O diferencial de custo
exige para o clínico um rigoroso balanço entre os
benefícios do maior índice terapêutico contra
o aumento do custo. Poderíamos prever quando um paciente
recebendo anfotericina convencional vai desenvolver nefro toxicidade?
O risco pode ser quantificado?
Quando tomar a decisão
entre droga convencional e as formulações lipídicas
de anfotericina? Geralmente as LFABs são indicadas para os
pacientes refratários ou intolerantes à droga convencional,
mas pode haver uma predição da nefrotoxicidade em
alguns pacientes. Por exemplo, eu acredito que um paciente diabético
com proteinuria e uma creatinina sérica pré existente
de 2.5 mg/dL deve receber já inicialmente um formulação
lipidica. Este conceito é apoiado por um estudo de 239 pacientes
imunossuprimidos, com creatinina superior a 2,5 mg/dL, que receberam
anfotericina B convencional e pioraram sua função
renal, evoluindo para insuficiência renal e diálise,
o que aumentou sua mortalidade.[39] Outra situação
é a associação de drogas nefrotóxicas
em um único paciente, como os aminoglicosídeos a ciclosporina,
que apresentam sinergismo nesta ação tóxica.
Nestes casos, Gubbins e col. recomendam em recente publicação,
que seja introduzido uma formulação lipídica
da anfotericina. [Gubbins PO et al: Antifungal agents. In: Piscitelli
SC, Rodvold KA(ed): Drug Interations in the Infectious Diseases.
Totowa, Humana Press, Pag 185-217, 2001].

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