O Desafio das Infecções Fúngicas no Século XXI


1. Avaliação das Infecções Fúngicas: de onde Viemos e para onde Vamos?

As infecções fúngicas invasivas são cada vez mais prevalentes devido ao aumento de pacientes com imunossupressão. Doenças de base ou condições crônicas como câncer, transplante de medula óssea ou de órgãos sólidos, infecção por HIV ou administração prolongada de corticosteroides tornam os pacientes vulneráveis para infecções fúngicas oportunistas. No hospital, procedimentos cirúrgicos complexos, uso difundido de dispositivos implantáveis e a administração de antibióticos de amplo-espectro aumentaram dramaticamente a incidência de infecções fúngicas hospitalares. Médicos de todas as especialidades terão de combater a ameaça crescente destas infecções. Em Janeiro de 2000 foi realizado um simpósio sobre estas infecções no Anderson Cancer Center, reunindo especialistas conceituados, discutindo principalmente o diagnóstico e o tratamento destas infecções, particularmente em pacientes imunocomprometidos.

Em revisão sobre infecções fúngicas, Kenneth V.I. Rolston, MD, do MD Anderson Cancer Center, Houston, Texas, declarou que as várias espécies de Candida são a quarta principal causa de infecção da corrente sangüínea, sendo associadas a uma alta letalidade de 40%. [1] De 1980 a 1990, a incidência de infecções fúngicas em hospitais dos EUA praticamente dobrou, indo de 2,0 para 3,8 por 1000 pacientes. [2] O maior aumento não aconteceu em unidades de transplante ou centros oncológicos, mas em unidades clínicas e cirúrgicas, demonstrando que as infecções fúngicas já não são limitadas a pacientes imunocomprometidos. Esta elevação também não se limitou aos grandes hospitais de ensino, chegando até aos pequenos hospitais comunitários. Além disso, embora fosse mais freqüente em pacientes internados nas unidades de cuidados intensivos, 43% dos casos foi identificado em pacientes das unidades clínicas ou cirúrgicas comuns.[2]

imprima esta página

< Introdução | Próxima >