Bate-papo

entrevista 4
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Bate papo com o editor do livro e autor desta homepage, Dr. Antonio Tadeu Fernandes.
Por que editar um livro sobre controle de infecção hospitalar?
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As infecções hospitalares são o maior desafio para todos os que participam do atendimento à saúde. Seguramente, inferências epidemiológicas colocam-nas como uma das principais causas de óbito, encarecendo consideravelmente os custos relacionados ao atendimento. Como discutimos no livro, o trabalho do controle de infecção bem executado reduz a sua incidência, representando economia e um investimento na equipe de saúde e na qualidade assistencial.


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Para o paciente e seus familiares, adquirir uma nova doença quando se busca a cura é um contrasenso e, à primeira vista, a sua ocorrência parece ser sinônimo de má qualidade dos serviços prestados, mas em uma análise mais detalhada de suas causas percebe-se que muitas vezes as infecções hospitalares relacionam-se às medidas que prolongam vidas, expondo um paciente debilitado aos procedimentos diagnósticos ou terapêuticos que alteram o equilíbrio que havia com os microrganismos que habitam seu corpo. Embora elas sejam inevitáveis, são previníveis e nessa aparente contradição concentramos nossos esforços.


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Evidentemente, o profissional de saúde ou uma instituição não contaminam voluntariamente os seus pacientes, mas o desconhecimento das medidas fundamentais do controle pode ter sérias conseqüências. Para ajudar os profissionais de saúde, os administradores hospitalares, os auditores e formuladores de políticas de saúde e mesmo a população em geral na luta por seus direitos é que escrevemos Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde.


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De acordo com o prefácio, dois aspectos se encontram em todo o livro: ética e ecologia. Explique como isso se correlaciona com o controle de infecção?


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Defendemos como princípios fundamentais do próprio controle de infecção hospitalar a ética de não causar dano ao paciente expondo-o a infecções desnecessárias e a ecologia da manutenção do equilíbrio no ambiente do organismo humano com seus parasitas. Mas existem outras implicações importantes. Os profissionais éticos procuram antes de tudo fazer o bem para seu paciente. Eles lidam com a vida e a morte e isso sempre lhes deu um poder imenso. Sob o ponto de vista individual, a expectativa de cura é que faz o cliente permitir que seja separado de seu convívio em uma hospitalização, ele aceite ter o seu corpo e sua intimidade invadidos e muitas vezes até, em nome da ciência ou do interesse coletivo, lhe seja imposta uma notificação compulsória de sua doença ou até mesmo a adoção de medidas que cerceiam sua liberdade individual em um isolamento. À luz da ética e da bioética, isto gera conflitos entre indivíduo e sociedade, principalmente na limitação do poder da ciência sobre as pessoas.


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Além do mais, tudo isto tem seu preço, que nem todos podem pagar. A industrialização da medicina gerou a venda de tecnologia. Todo o modelo curricular dos profissionais de saúde é calcado neste prisma, sentindo-se órfãos aqueles que não dispõem de um complexo aparato subsidiário. Considerando-se que a ciência é um patrimônio universal, é lícito excluir estes avanços de grande parte da população por não poder arcar com seus custos? Principalmente em um país do terceiro mundo, com escassos recursos para a saúde coletiva, como dimensionar a sua distribuição eqüitativa, atendendo prioridades populacionais? Pode artificialmente a ciência manter vidas, geralmente com múltiplos procedimentos invasivos, a altos custos, em um verdadeiro meio de cultura para a proliferação de germes hospitalares?


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Por tudo isso, acreditamos que o amplo debate destes fatos pode levar a soluções mais adequadas à nossa realidade e cada vez mais temos a convicção que as infecções hospitalares e seu controle são muito amplas para sofrerem as limitações impostas por especialidades médicas ou de outros profissionais, por mais que seus estudos aprofundem aspectos específicos do problema.
Por que uma homepage vinculada ao livro?


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Dá para perceber nitidamente que o nosso livro não foi feito de improviso, às pressas, buscando chegar a um questionável pioneirismo às custas de queda de sua qualidade. Começamos a escrevê-lo em 1993, inicialmente com uma ampla revisão bibliográfica sobre o tema. Depois, escolhida a equipe editorial e os colaboradores, discutimos cada capítulo, procurando uma visão multiprofissional e abrangente. O mesmo processo se deu com a parte gráfica para chegarmos a um produto bem acabado. Isto tudo levou tempo e freqüentemente atualizávamos os originais. Surgiu então uma dúvida: por que limitar todo esse processo à edição do livro? Assim, para mantermos o leitor atualizado mesmo após o lançamento do livro e também fornecermos um fórum que amplie a rica discussão que desenvolvemos durante a sua elaboração, criamos a homepage.


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Geralmente os livros sobre infecção hospitalar se limitam aos nomes epidemiologia, prevenção e controle, por que esse título tão diferente?


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Acreditamos que o controle de infecção hospitalar é tão amplo, que deve se libertar desta visão tão estreita, pois ele é um reflexo da política de saúde, das condições sócio-econômicas, da evolução da ciência e tecnologia médica, tudo se refletindo em cada atendimento prestado. Não basta saber qual o melhor recurso, mas sim quando ele é adequado e como consegui-lo.


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Pretendemos então ampliar a abordagem tradicional, discutindo suas principais interfaces na área da saúde, também ultrapassando os muros dos hospitais chegando ao homecare, ambulatórios, asilos, instituições psiquiátricas e até presídios.


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Mas com isto não fica limitada a bordagem específica do controle de infecção?


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Pelo contrário, ela fica enriquecida. Mas o tradicional também foi tratado de uma forma mais dinâmica. Todas as síndromes infecciosas hospitalares e setores de apoio que interagem com o controle de infecção foram abordados em capítulos individualizados. As bases da imunologia, microbiologia e epidemiologia também estão presentes, fundamentando as ações de controle, facilitando a sua compreensão. Temas de ponta foram incluídos. Pelo que sabemos, é o primeiro livro de controle de infecção a discutir as implicações dos patógenos emergentes na dinâmica hospitalar. Mesmo dentro de cada instituição discutimos estratégias comportamentais para aprimorar a aderência dos profissionais de saúde às medidas de controle. Além disso, a discussão de aspectos legais, éticos, bioéticos, administrativos e políticos só vem contribuir para o aprimoramento do debate em torno do controle de infecção e mesmo da capacidade de atuação dos profissionais envolvidos com o problema.


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O que representam este livro e esta homepage para você?


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Sem dúvida alguma, se escrever o livro foi o desafio que nos acompanhou durante os últimos sete anos, as repercussões que ele possa ter sobre a qualidade da assistência prestada à população são a nossa maior expectativa. Por isso esta homepage, para mantermos um contato com o leitor. Afinal, acreditar na possibilidade das pessoas solidariamente contribuírem para a evolução dos conhecimentos e solver lentamente os seus resultados foi o que de mais aprendemos em nossa jornada que há quase 20 anos começou com o Núcleo Paulista de Estudos e Controle de Infecção hospitalar, via Centro de Treinamento do Ministério da Saúde, desembocou no primeira associação sobre controle de infecção do país e no primeiro congresso específico sobre o tema. Acrescentamos a partir deste momento mais duas formas de luta pelos nossos ideais.

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