Programa Nacional
de Controle de Infecção Hospitalar
Dra. Glória Maria de Andrade
 

artigo

Historicamente o Controle das Infecções Hospitalares em nosso país tem seu marco com a portaria MS196 de 24 de junho de 1983. 

Embora alguns profissionais de saúde no país já se preocupasse com o assunto desde a década de 70, o Programa tomou novos rumos com a morte do Pres. Tancredo Neves, quando o País assistiu atônito à luta da equipe médica contra um processo infeccioso causado por bactérias resistentes que culminou com a morte de um Presidente, síntese das esperanças de todo um povo. 

Grupos de trabalhos foram formados pela determinação do Sr. Ministro da Saúde, na época, o Dr. Carlos Sant'Anna e sob a Coordenação da Dra. Fabíola de Aguiar Nunes, Secretária de Programas Especiais de Saúde do Ministério da Saúde.

Foram criados Centros de Treinamento (CTS) em Infecção Hospitalar onde profissionais da área da saúde eram treinados no assunto e se tornavam multiplicadores nessa área. Comissões de Controle de Infecção Hospitalar eram instaladas nos Hospitais assessorando o Corpo Clínico Nosocomial na implantação das medidas controladoras da Infecção Hospitalar. 

Novas linhas de pesquisa se delineavam na busca de soluções que efetivamente pudessem deter a trajetória desse processo infeccioso adquirido no Hospital. A comunidade leiga passou a solicitar resposta para uma pergunta simples, mas de uma lógica profunda: "Por que se adquirir doença num local onde se busca saúde?...”
Passaram-se dezessete anos da primeira portaria; sim, porque vieram mais uma em 1992 e mais uma lei em 1997, e mais uma portaria em 1998. Todas têm em comum a determinação para que se implante Programas de Controle de Infecção Hospitalar em todos os hospitais brasileiros como a única arma para minimizar o problema. 

Em pesquisa recente, realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) onde se encontra, agora, o Programa Nacional, só 30% dos hospitais brasileiros contam com um programa efetivo, conforme preconizam a lei e as portarias citadas.

Pergunta-se: Onde estão as falhas na efetividade dessas ações? Trata-se, como sabemos, de um programa de controle de qualidade dos serviços prestados pelos hospitais. Ora, bons serviços de saúde é o que toda comunidade quer, exige mesmo. Em todo o País, o povo cobra do Governo o retorno, em saúde, dos impostos pagos anualmente.

E a pergunta fica no ar: O que falta para que sejam implantadas Comissões de Controle de Infecção Hospitalar em 100% dos hospitais brasileiros? Achamos mesmo que o Estado tem feito sua parte. Necessário se faz que os administradores hospitalares se conscientizem que a instalação de um PCIH reduz custos e melhora a qualidade dos serviços prestados pelos hospitais, sendo portanto um investimento a curto prazo. Dia virá em que a população que procura um hospital vai 
avaliá-lo pelo controle da infecção hospitalar e saberá escolher o melhor, com taxas acertáveis, onde o paciente se sentirá seguro e confiante.

Enfim, hospital é uma empresa, seu maior produto é a saúde e seu consumidor é o paciente, e o consumidor brasileiro já vem se tornando consciente de seus direitos: a certeza de adquirir o melhor produto para seu uso e de sua família.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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