gloria

Segunda, 3rd de Dezembro 2001
  tadeu: Gloria, tudo bem? Como você avalia o controle de infecção no Brasil?

  gloria: Olá Tadeu, tudo bem e você?

  gloria: No momento o controle de infecção hospitalar no Brasil, está alcançando algumas metas, tais como: conscientização do profissional de saúde e principalmente dos administradores hospitalares sobre a importância deste Programa, como um programa de controle de qualidade, que reduz custos e melhora a assistência prestada ao usuário.

  tadeu: Como estão os Programas Estaduais?

  gloria: Em 1999, quando o PNCIH foi para a ANVISA só tínhamos dois estados com programas estaduais. Atualmente, 100% dos Estados brasileiros contam com programas efetivamente implantados.

  gloria: Desculpe, escrevi dois estados e são doze estados.

  tadeu: O que isso representa em termos práticos?

  gloria: Significa que as ações de CIH estão chegando na ponta, ou seja: na área de execução. As CECIHs vêm atuando de maneira muito positiva no sentido de levar o CIH a todas as unidades de saúde e assim atingindo seus objetivos.

  tadeu: Como tem sido a participação da sociedade e da comunidade em suas ações?

  gloria: Para que este Programa realmente se instale no País, necessário se faz envolver o usuário do sistema de saúde que é co-responsável por ele. Em todas as participações na imprensa falada e escrita, tenho convocado a sociedade para dividir conosco a responsabilidade de algumas ações como: o hábito de lavar as mãos, uso responsável dos antimicrobianos (só com prescrição médica) e sobretudo, a cobrança junto aos hospitais de CCIHs.

  tadeu: Qual a participação de outras categorias profissionais de saúde, além de médicos e enfermeiros?

  gloria: Temos convocado nas ações de CIH os odontólogos, os nutricionistas, farmacêuticos, admnistradores hospitalares, já que todos eles têm uma parcela de responsabilidade nas ações do Programa. As sociedades científicas destas profissões e órgãos de classe, têm contribuído através de eventos científicos, consultoria e divulgação do Programa.

  tadeu: Voltando à implantação dos programas estaduais, agora que estão presentes em todos os estados (parabéns), qual o próximo passo?

  gloria: Pretendemos investir cada vez mais na capacidade profissional dos membros das CECIHs. Realizaremos encontros regionais com estas Comissões, afim de avaliar as ações implantadas nos Estados, após cursos de treinamentos ´que já foram dados e eventos aopiado

  gloria: eventos apoiados pela Agência. Necessitamos saber as dificuldades e os progressos destas Comissões e isto só será possível, observando as características de cada região.

  tadeu: Sabendo que a resistência bacteriana é um problema, o que o programa tem recomendado?

  gloria: Em 15 de maio deste ano, a ANVISA nomeou um GT com o objetivo de estabelecer estratégias para o uso racional de antimicrobianos nas unidades de saúde e na comunidade. necessitamos saber quanto se usa e o que se usa neste país de antibióticos. Necessitamos fazer valer a legislação vigente quanto a venda de antimicrobianos sob prescrição médica. Por outro lado, é necessário uma campanha junto à comunidade para conter a auto-medicação. O GT também está´procurando identificar os laboratórios de referência no País. Enfim, estabelecer a política nacional para o uso racional de antimicrobianos.

  tadeu: Com está a situação dos labotórios de microbiologia no país e o que pode ser feito?

  gloria: O último levantamento do PNCIH revelou que só 41% dos hospitais brasileiros dispõem de laboratório de microbiologia. Ainda não temos dados com relação ao controle de qualidade desses laboratórios. O roteiro de inspeção da VigiLãncia Sanitária colocou como item imprescindível, portanto a maior exigência do roteiro, a existência do labooratório de microbiologia nas unidade s de saúde. Já está disponível no site da ANVISA o primeiro fascículo do manual de Microbiologia, estando os três fascículos seguintes em fase de elaboração. Há uma parceria importante do PNCIH com a Sociedade Brasileira de Microbiologia, o que vem reforçando estas ações.

  tadeu: Você acha que é possível fazer controle de infecção sem um laboratório de microbiologia?

  gloria: Sem laboratório de microbiologia, não se faz controle de infecção hospitalar.

  tadeu: Mesmo em hospitais psiquiátricos?

  gloria: Em hospitais psiquiátricos, o controle de infecção tem características próprias, mesmo assim, não dispensa o apoio de um laboratório de microbiologia, Na impossibilidade de montar um laboratório, o administrador pode terceirzar os serviços de um laboratório, com controle de qualidade e integrado na CCIH. O mais importante é a integração entre a CCIH e a microbiologia.

  tadeu: Como você acha que deve ser a interação da CCIH com os médicos de um hospital em relação a prescrição de antibióticos?

  Leonidas: oi!

  gloria: O CIH é um programa de educação continuada em todos os seus aspectos. Neste assunto principalmente, a CCIH deve apoiar o corpo clínico com bases científicas, orientando as prescrições, sendo parceiros e elaborando protocolos. Uma CCIH que tenha conquistado respeito da comunidade hospitalar, realiza suas ações como parte de seu trabalho rotineiro.

  gloria: Oi Leônidas, obrigada por nos visitar. Você tem alguma pergunta?

  tadeu: Leonidas se você quiser se interar do que foi discutido até agora, clique em "ver o log do chat".

  tadeu: Você conflitos éticos nesta atividade de controle de antibióticos?

  Leonidas: Você considera importante o uso de mascaras e luvas nas tecnicas de curativo?

  gloria: Estes conflitos já foram amiores e mais freqüentes até agosto de 1999, quando o CFM publicou a Resolução 1552 que orienta estas ações e o que é mais importante, considerou ético em seu parágrafo segundo a libração de antibióticos pela CCIH, mediante solicitação justificada e firmada por escrito.

  Leonidas: gloria você considera importante o uso de mascaras e luvas nas tecnicas de curativo?

  gloria: Luvas sim, porém de acordo com a situação, pode ser usada estéril ou de procedimento. Se houver risco de contaminação da roupa, deve-se utilizar avental. Os demais EPIs, de acordo com o rpocedimento. O uso de luvas não substitui a lavagem das mãos.

  gloria: Oi Fernanda, prazer em tê-la conosco neste bate-papo.

  gloria: Existe controvérsia na realização de um curtativo cir´rugico sem complicações. Podendo-se utilizar luvas de procedimentos nestes casos. quando houver solução de continuidade da pele, as luvas e o instrumentais devem ser estéreis.

  tadeu: Leonidas e Fernanda, de onde vocês são?

  tadeu: Os antisépticos estão recomendados em curativos?

  Leonidas: Boa Noite A todos e obrigado pelas respostas e conhecimentos que eu adquiri aqui com vocês!

  gloria: Não, principalmente porque interferem com o processo de cicatrização, geralmente retardando-o. O próprio Fleming já havia identificado isto há mais de 80 anos quando estava estudando penilicina.

  gloria: Obrigada e volte sempre

  tadeu: Quantos hospitais brasileiros têm CCIH?

  gloria: A estimativa no último levantamento de 2001 é de 49% dos hospitais com CCIHs.

  Leonidas: Gloria você poderia me passar o seu e-mail?

  tadeu: O que fazer com os hospitais que não têm CCIH?

  gloria: Os hospitais sem CCIH não estão cumprindo a legislação e devem sofrer as sanções da Vigilância.

  gloria: meu e-mail é: gloria.maria@anvisa.gov.br

  tadeu: Leonidas, se inscreva em nosso chat, para saber dos proximos bate-papos

  gloria: Leônidas eu o convido a visitar o site da ANVISA e acesssar serviços de saúde e programa de controle de infecção hospitalar, onde certamente encontrará vários assuntos de seu interesse.

  gloria: Para os participantes que o site da ANVISA é: www. anvisa.gov.br

  tadeu: Qual a maior dificuldade que encontrou ao reassumir o programa?

  tadeu: Por que os Centros de Treinamento foram desativados?

  gloria: A conscientização dos profissionais de saúde, ao lado da necessidade de reestruturar todo um program que na década de 80 e no início da década de 90 estava presente em todo o território nacional, através dos 48 centros de treinamentos.

  gloria: Foram desativados por uma medida institucional, não bem compreendida até hoje por nós técnicos em controle de infecção. A desativação destes centros desfez a malha técnica do programa, que garantia a sua presença em todos os estados brasileiros. Isto ocorreu em 1983.

  tadeu: Infecção hospitalar é erro médico?

  gloria: Pode ser considerado um erro médico quando não se obseva as medidas de controle recomendadas.s.

  gloria: Oi Luiz, tudo agradeço sua participação. Você deseja fazer alguma pergunta?

  tadeu: Quais as principais medidas de controle recomendadas?

  gloria: Lavagem das mãos, uso racional de antimicrobianos, padronização dos cuidados com procedimentos invasivos, higiene e limpeza hospitalar e normatização para os setores que atuam direta ou indiretamente os pacientes

  Luiz: Qual o indice de aparecimento de resistencia bacteriana na populacao devido ao uso de antibiotico como aditivo na racao alimentar de animais :

  gloria: Em 1998, o M da Saúde juntamnete com o M da Agricultura, proibiram a avoparcina como aditivo de ração animal, por cruzar com resistência a vancomicina. Estudos internacionais comprovam a assoaição de antibióticosa na ração com resistência em cepas humanas, mas é difícil mensurar a contribuição deste fator. No momento a ANVISA nomeou dois grupos sobre o tema

  tadeu: A ANVISA está procedendo algum estudo sobre higiene e limpeza hospitalar?

  gloria: Estamos procedendo um levantamento junto às Comissões Estaduais sobre a limpeza, bem como o uso dos germnicidas hospitalares, já nos responderam em torno de 900 hospitais. estss dados serão tabulados e colocados à disposição na´página do programa.

  tadeu: Qual o diagnóstico das infecções hospitalares no Brasil?

  gloria: Neste momneto está sendo realizado o inquérito nacional para levantar a situação das infecções no país, é corrdenado pela Faculdade saúde Pública, que em convênio com a ANVISA vem aplicadno um questionário junto aos hospitais provavelmente no 1º semestre de 2002, estes dados estrão computaods

  tadeu: Por que o dia 15 de maio é o dia nacional do controle de infecção e qual o tema central do ano que vem?

  gloria: O dia 15 de maio, através de Portaria Ministerial é o dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar. Atualmente temos um ante-projeto de lei tramitando no Congresso Nacional para transformá-lo em lei. Para o ano que vem os temas serão escolhidos acessando o site na ANVISA, na página do Programa.

  tadeu: Infelizmente, você tem outros compromissos e teremos que finalizar esta seção. Quais seus comentários finais

  gloria: Controle de IH é sobretudo um exerc´cio de cidadania e portanto uma obrigação de todo o cidadão. Os contatos com o Programa Nacional deverão ser feitos atra´ves dos telefones: 61-4481265; 4481044. pelo fax 61-4481031 e pelo e-mal: ucisa@anvisa.gov.br Foi um prazer participar deste chat e até um apróxima oportunidade. Um abraço a todos.

  tadeu: Obrigado a você Glória, um bom evento lá em Cuiabá, e agradecemos a sua participaçãoa todos que pa