cap. 70
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Acidentes pérfuro-cortantes entre o pessoal de apoio

 

Os acidentes pérfuro-cortantes persistem como principal forma de transmissão de patógenos veiculados pelo sangue aos profissionais de saúde, contaminando acima de 25% dos acidentados com portadores do antígeno da hepatite B. Este problema se acentua em locais como a Tailândia, onde a prevalência de portadores deste vírus é bem maior (entre 15 e 21%). Além disso, existe o risco de transmissão de hepatite C, cuja soro-prevalência é 2,5% e de HIV, que tinha 1.491 casos notificados até 1997 naquele país. A soroconversão anual de profissionais de saúde é 150 a 322 para hepatite B e 149 a 376 para hepatite C. Uma população pouco estudada é do pessoal de apoio na área de saúde, objeto da pesquisa dos autores, incluindo funcionários da higiene, lavanderia, central de material e hotelaria. A pesquisa foi realizada em 12 hospitais universitários sorteados de um total de 132 existentes na República da China (Taiwan). Questionários foram encaminhados a 862 profissionais perguntando sobre acidentes pérfuro-cortantes.
Foram respondidos 684 questionários (79,4%), dos quais 478 eram da higiene (69,9%), 115 da central de material (16,8%), 50 da hotelaria (7,3%) e 41 da lavanderia (6,0%). O relato de acidentes pérfuro-cortantes foi informado por 61,0% dos profissionais pesquisando, tendo estes valores por setor de trabalho: central de material 88,7%, higiene 57,3%, hotelaria 48,0% e lavanderia 41,5% . Só foram notificados na ocasião 25,4% dos acidentes ocorridos, dos quais 58,5% envolviam itens utilizados por pacientes, 32,4% de uso desconhecido e 10,0% de artigos não utilizados. Agulhas foram os objetos mais relatados (42,2%) e em 71,2% dos casos haviam sido usadas em pacientes. Os objetos cortantes representaram 25,2% dos acidentes, dos quais 12% foram artigos de vidro.
Os acidentes ocorreram em três situações distintas: durante a limpeza, auto-inoculação durante o trabalho ou inoculação por outro profissional. O mais comum foi durante atividades relacionadas à manipulação de resíduos (20,2%), 13,0% infectante e 7,2% não infectante, de acordo com os autores. A seguir foram relatadas as seguintes atividades: limpeza dos quartos (17,5%), coleta de materiais pérfuro-cortantes (17,0%), limpeza de equipamentos médico-hospitalares (14,6%). O descarte inadequado de materiais pérfuro-cortante foi responsável por 39,1% dos acidentes nestes profissionais, seguido pelo corte ao manipular ampolas quebradas (2,2%).
Profissionais com menos de quatro ano de trabalho representaram 32,8% do total e o entre 0,8 e 9,4% relataram acidentes desta natureza. Entre os profissionais com mais de quatro anos (67,2%) o índice variou de 26,6 a 51,4%. Quanto a proteção contra hepatite B, 55,3% dos funcionários apresentavam problemas, 41,7% desconheciam sua sorologia e 13,6% comprovadamente não tinham imunidade natural e nem haviam recebido vacina. Dos 44,7% com sorologia positiva, 26,3% seguiram a imunização natural, 5,8% já haviam sido vacinados antes do emprego e 12,6% durante seu vínculo profissional. Programas educativos foram dados apenas 30,4% destes profissionais, dos quais 69,4% sofreram acidentes e 39,2% realizaram a notificação.
Segundo os autores este estudo demonstrou que estes profissionais têm alta prevalência de acidentes pérfuro-cortante, muitos relacionados a condições de risco provocadas pelos profissionais que atendem os pacientes, destacando o descarte inadequado de pérfuro-cortantes. Um quarto destes profissionais adquiriu proteção contra hepatite após sua contaminação e existe uma baixa quantidade que adquiriu imunidade após vacinação. Os programas educativos tiveram pouca eficácia em reduzir estes acidentes. Como sugestão dos autores estes programas devem contemplar: teste sorológico e imunização de todos os funcionários susceptíveis à hepatite B; educar o staff do hospital para o descarte adequado dos pérfuro-cortantes, demonstrando seu papel nestes acidentes; recomendar que estes funcionários não possibilitem contato de seu corpo com recipientes de resíduos ou coletores de pérfuro-cortantes.
Fonte: Shiao JSC, McLaws ML, Huang KY, Guo YL. Sharps injuries among hospital support personnel. J Hosp Infect (2001) 49: 262-267.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

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