cap. 19
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Fatores associados com infecção no pós-operatório

 

Segundo os autores, o uso de antibiótico profilático, principalmente o intervalo entre sua administração e o início da cirurgia, tem sido o fator de risco mais estudado para infecção do sítio cirúrgico. Existem poucos estudos que avaliam as características do paciente como fator predisponente. Eles desenvolveram um banco de dados computadorizado analisando todos os 9.016 pacientes cirúrgicos que estavam recebendo antibiótico "profilático" internados entre 01/03/1995 até 31/12/1997, em um hospital comunitário de 400 leitos. Foram avaliadas características do paciente como idade; sexo; albumina e creatinina séricas; data da cirurgia; procedimento cirúrgico (classificados por especialidade); antibiótico profilático; introdução de antibióticos do 2º ao 7º PO; número de dias entre a cirurgia e o óbito; data da readmissão (se ocorreu dentro de 28 dias após a cirurgia); antibióticos utilizados nesta reinternação; e custos totais com o paciente.

Uma infecção precoce foi definida quando um novo regime antibiótico era introduzido entre o 2º e 7º PO e a readmissão por infecção foi definida quando o paciente era reinternado entre 15º e 28º PO e recebia antibiótico dentro das primeiras 24 horas de admissão. Não foi relatada a existência de sistema específico empregado para identificação de casos de infecção hospitalar e nem os critérios diagnósticos utilizados, inclusive para se afastar outras implicações infecciosas. Também não se especifica se foi empregado algum critério para classificar os antibióticos em terapêuticos ou profiláticos.

De acordo com os autores, 12,6% dos pacientes desenvolveram infecção precoce; 2,5% foram readmitidos com processo infeccioso e 2,5% morreram dentro de 28 dias. Foi realizado um estudo regressão logística multi-variada para identificar os mais importantes fatores de risco e determinar seu Odds Ratios para os resultados descritos (infecção precoce, readmissão por infecção e morte dentro de 28 dias).

Em relação à infecção precoce, os autores destacam os seguintes fatores apresentaram risco significativamente maior: idade (OR = 1,22 e P < 0,001); hipoalbuminemia baixa (OR = 2,27 e P < 0,001); cirurgia de amputação (OR = 3,14 e P < 0,001); traqueostomia (OR = 5,66 e P < 0,001); debridamento de feridas (OR = 1,89 e P < 0,005). Os autores ainda destacam que o risco foi significativamente menor nas seguintes condições: cirurgia de vesícula biliar (OR = 0,27 e P < 0,001); procedimento ortopédico em membros superiores (OR = 0,06 e P < 0,005); uso de cefazolina (OR = 0,65 e P < 0,001). Estes dados, segundo os autores, reforçam a importância da patologia prévia do paciente como fator de risco para infecção, importância do uso profilático de cefazolina e do reflexo de procedimentos minimamente invasivos para redução do risco cirúrgico.

Com respeito aos fatores de risco relacionados com a readmissão, os autores destacaram: biópsia (OR = 4,83 e P < 0,001); fístula arteriovenosa (OR = 5,41 e P < 0,001); endarterectomia (OR = 3,73 e P < 0,001); cirurgia vascular não cardíaca (OR = 5,24 e P < 0,001) e infecção prévia (OR = 3,13 e P < 0,001). Os autores comentaram a importância deste último fator.

Em relação ao óbito até o 28º PO, os autores comentaram os seguintes fatores para aumento: tobramicina (OR = 4,40 e P < 0,001); cirurgia de aneurisma (OR = 4,91 e P < 0,001); neurocirurgia (OR = 4,59 e P < 0,001); troca de valvas cardíacas (OR = 2,08 e P < 0,05); hipoalbuminemia (OR = 2,94 e P < 0,001); idade avançada (OR = 1,42 e P < 0,001); aumento de creatinina sérica (OR = 1,16 e P < 0,001); infecção prévia (OR = 2,25 e P < 0,001). O menor risco foi encontrado nas seguintes situações: cirurgia de vesícula biliar (OR = 0,13 e P < 0,05); cirurgia gineco-obstetrícia (OR = 0,17 e P < 0,05). Os autores destacam como fatores que influenciam o óbito, as características clínicas prévias do paciente, o tipo de procedimento cirúrgico e a ocorrência de infecção. O maior risco encontrado com o uso de tobramicina deve ser um viés, pois foi computado o uso de antibióticos sem sua classificação se profilático ou terapêutico, logo se pressupõe que os pacientes em uso de tobramicina tinham um processo infeccioso prévio, pois esta droga não é empregada habitualmente em esquemas profiláticos.

Os autores concluem: "este estudo não teve o objetivo de encontrar novos fatores associados com infecção pós-operatória, mas principalmente o uso do banco de dados existente em nosso computador para confirmar e dar maior validade à importância da avaliação clínica do paciente para direcionar os cuidados peri-operatórios". Eles continuam: "embora nosso estudo não deduza informações que orientem a prática clínica, ele dá suporte ao uso de um banco de dados para identificar pacientes com maior risco infeccioso".

Fonte: Scott JD, Forrest A, Feuerstein S, Fitzpatrick P, Schentag J. Factors associated with postoperative infection. Infect Control Hosp Epidemiol, 2001; 22:347-351.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

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