cap. 65
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Contaminação bacteriana de dieta enteral

 

As dietas são um meio favorável para contaminação bacteriana, e promovem um aumento no risco para infecção hospitalar como diarréias, pneumonias e sepses. A contaminação das dietas pode ocorrer de diversas formas; através dos próprios alimentos que não são estéreis ou por exposição à contaminação durante o preparo e mistura dos ingredientes, através de mãos contaminadas.
Quatro hospitais com unidades de cuidados intensivos, em Manila nas Filipinas participaram deste estudo. Cada hospital submeteu a análise dois tipos de dieta a padrão e outra especial (para diabético, hipertenso, etc), preparadas conforme rotina do hospital. Todas as dietas formam mantidas em temperatura ambiente (26ºC - 31ºC) por quatro horas para simular sua administração, sendo colhidas amostras para análise, nos tempos 1, 2, 3 e 4 horas.
Os hospitais B, C e D utilizaram dietas formuladas a partir de alimentos naturais como carne, frutas e legumes, e os hospitais A e B utilizaram fórmulas comerciais acrescidas de água ou suco de frutas.
Através de método padrão, ou seja, unidades formadoras de colônia por grama de alimento UFC/g para coliformes fecais número provável de coliformes fecais por grama de alimento NPC/g obteve-se contagem de UFC e coliformes fecais para as 96 amostras coletadas.
Nas amostras imediatamente após o preparo é aceitável até 7.4 .103 UFC/g. Em 23 (96%), obteve-se contagens maiores que 10 UFC/ml e 22 (92%) tinham contagens superiores a 103 UFC/g. Seis amostras (25%) tinham contagens maiores que 105 UFC/g. Após 4 horas de preparo a média de contagem das amostras foi de 2.12 . 105 UFC/g. Neste tempo 21 (88%) amostras tinham contagens superiores a 103 UFC/g.
A contaminação bacteriana parece estar ligada a natureza dos ingredientes utilizados no preparo, somente 2 dietas tinham contagens iguais ou inferiores a 103 UFC/g após todos os pontos de tempo e ambas haviam sido preparadas com fórmulas comerciais. A contagem de bactérias de dietas preparadas a base de produtos naturais e das preparadas com fórmulas comerciais foram comparadas e obteve-se um índice significativamente maior de bactérias naquelas preparadas a base de produtos naturais, em 1 e 2 horas após o preparo. Usando uma definição de contaminação "aceitável" de 103 UFC/g após quatro horas, 100% das amostras preparadas a partir de produtos naturais estavam contaminadas contra 33% daquelas preparadas a partir de fórmulas comerciais.
A média de contagem de coliformes fecais para as 96 amostras coletadas imediatamente após o preparo foi de 10.3 NPC/g, 40 (58%) das amostras foram positivas para coliformes (aceitável > 1NPC/g), imediatamente após o preparo, 2 (8%) tinham contagens de 5 a 10 NPC/g. Com 4 horas de preparo a média de coliformes fecais foi de 18.2 NPC/g. Neste tempo 19 (79%) foram positivas para coliformes, sendo em 18 com contagens maiores que 10 NPC/g. somente 5 (21%) foram negativas para coliformes fecais em todos os tempos.
As dietas são indispensáveis aos pacientes impossibilitados de se alimentarem por via oral, sendo que a intervenção nutricional precoce está relacionada a melhora mais rápida do paciente e redução dos custos hospitalares. Comparada a nutrição parenteral é mais custo efetiva e ajuda a manter a função do trato gastrointestinal, estando associada a menos complicações.
Dietas para pronto uso são estéreis e, portanto mais seguras, no entanto dietas preparadas a partir de produtos naturais ainda são amplamente utilizadas em países em desenvolvimento. Muitos destes países estão geograficamente colocado em locais de clima quente o que possibilita a proliferação bacteriana nas dietas.
As prováveis fontes de contaminação das dietas podem ser através de contaminação de utensílios usados no preparo devido a limpeza precária. Ainda através das mãos dos profissionais de saúde, ventiladores, aparelhos de broncoaspiração ou flora do próprio paciente. Os resultados deste estudo sugerem que a maioria das dietas preparadas nestes hospitais foram inaceitáveis do ponto de vista de contaminação bacteriana.
Imediatamente após o preparo 96% das amostras tinham contagens superiores a 10 UFC/g e em 85% foram identificadas contagens inaceitáveis de coliformes. Estes resultados são similares aos de outros estudos. Este estudo sugere que a contaminação por coliformes esteve relacionada ao local de preparo enquanto a bacteriana relacionou-se a composição das dietas. A água foi entendida como improvável fonte de contaminação pois era fervida. Dadas as fontes de contaminação mais prováveis fica claro que a menor manipulação oferece menor risco, bem como o uso de sistema fechado de infusão, uso de fórmulas comerciais, instituição de protocolos para instalação, guarda e tempo de infusão de dietas bem como higiene rigorosa das mãos.

Fonte: Sullivan M. M., Sorreda-Esguerra P., Santos E. E. et al. Bacterial Contamination of Blenderized Whole Food and Commercial Enteral Tube Feedings in the Philippines. Hosp Infect. Vol 49: 268-273, 2001.

Resumido por: Cristiane Schmitt.

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