cap. 38
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Ventilação do centro cirúrgico e risco de infecção hospitalar

 

Embora a recomendação de um ambiente específico para realização de cirurgias tenha originado no século XVIII, apenas após a segunda guerra mundial foi recomendado o uso de pressão positiva no centro cirúrgico. A contaminação microbiana da ferida cirúrgica é originária de diversas fontes. A evidência da correlação entre contagem microbiana em amostras de ar do centro cirúrgico e a ocorrência de infecção cirúrgica ainda é bastante contraditória. Em procedimentos que duram cerca de uma hora, a queda de partículas contaminadas no campo operatório é da ordem de 270 por centímetro cúbico e o risco de infecção depende principalmente do grau de viabilidade desses microrganismos, sua virulência e da capacidade do sistema imunológico do paciente. A contaminação microbiana é mais intensa nos momentos de maior turbulência do ar, que coincido com a maior movimentação do pessoal, posicionamento do paciente na mesa cirúrgica e final da cirurgia, quando a equipe remove sua paramentação. O conforto térmico, possivelmente reduzindo sudorese, parece ter um papel protetor da ocorrência de infecção.
Ainda hoje se discute a eficácia do emprego de fluxo laminar em procedimentos cirúrgicos, tendo sido comprovado apenas em cirurgias de próteses ortopédicas e mesmo assim em estudos que não possibilitam definir se foi o sistema de ventilação ou a antibioticoprofilaxia que teve o principal papel preventivo. Revisão de literatura realizada pelos autores identificou os seguintes fatores como importantes para a prevenção de infecção em cirurgias de implante de próteses:
· Unidades com fluxo laminar vertical são mais efetivas que as com fluxo horizontal, por que o ar limpo é direcionado para o campo operatório.
· Rigoroso cumprimento dos protocolos co centro cirúrgico.
· Não está confirmada a importância do fluxo laminar em reduzir a incidência de infecção em artroplastia, se a antibioticoprofilaxia é adequada.
· Quando a taxa de infecção nesses procedimentos excede 0,8% (Joelho) ou 0,5% (coluna) o uso de fluxo laminar deve ser considerado.
Os procedimentos minimamente invasivos são realizados em vários ambientes hospitalares, alguns deles sem qualquer tipo de ventilação especial. Por outro lado, a inserção de cateter venoso central em centro cirúrgico parece estar relacionado a um menore índice de complicações infecciosas. Assim, segundo os autores, várias questões ainda precisam ser respondidas em relação a este tema:
· O fluxo laminar permaneceria eficaz em cirurgias de prótese ortopédica seu uso de antibioticoprofilaxia?
· Existe evidência científica para o fluxo laminar seja empregado em outros procedimentos ortopédicos como redução cruenta de fraturas ou uso de fixação externa?
· Outros procedimentos limpos, com inserção de prótese (derivação ventrículo peritonial, enxerto vascular, prótese mamária, implante de testículo, valvuloplastia) poderiam se beneficiar do uso de fluxo laminar?
· Procedimentos limpos em geral?
· Cirurgias laparoscópicas devem ser realizadas em centros cirúrgicos ou podem ser realizadas em ambientes sem ventilação especial?
· A radiologia invasiva e a hemodinâmica devem ter ambientes com ventilação especial?
Os autores encaminharam um questionário para micorbiologistas e todos os membros da Hospital Infection Society com estas questões e prometem uma análise posterior das respostas enviadas.

Fonte: Humphreys H et cols. Operating thetre ventilation standards and the risk of posoperative infection. J Hosp Infect (2002) 50: 85-90.

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

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