Cap.
10
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Desenhos
em unhas: implicação para o controle de infecção
Unhas
compridas e esmaltadas são às vezes desaconselhadas
em serviços de saúde e nossa idéia de manicure
envolve cortes, preenchimento, moldagem e retirada de cutículas.
Atualmente observa-se uma tendência à sofisticação
tecnológica desenvolvendo, entre outras, unhas artificiais,
emprego de arte e jóias. Estas unhas exigem reparos constantes,
geralmente realizados com material de fibra de vidro. Entretanto,
segundo os autores, existem poucas referências a respeito
do risco de infecção relacionada a estas práticas.
Os autores descrevem sumariamente as principais tecnologias desenvolvidas:
capa ungueal (gel que cobre e protege a unha favorecendo seu crescimento);
unhas artificiais (aplicadas no leito ungueal, compostas de acrílico,
fibra de vidro ou seda); cobertura ungueal (extensão das
unhas naturais de fibra de vidro); pinturas na unhas (podem ser
incorporadas zircônio, brilhante, pérola e metais dourados,
piercing e pedras preciosas, aplicados a partir de matrizes) e esculturas
(tridimensionais).
Cuidados com a higiene e descontaminação de artigos
nos salões de beleza são essenciais. Existe a possibilidade
de contaminação cruzada a partir de cubas, alicates
para remover cutículas, lixas, estiletes, espátulas,
pincéis, cortadores de unha, tesouras, entre outros artigos.
Alguns salões oferecem artigos individuais, mas artigos não
descartáveis, como tesouras, necessitam de esterilização,
segundo os autores, entre seus usos. Também são eliminados
vapores de produtos químicos e nos Estados Unidos, mesas
de manicure com um sistema especial de ventilação
foi desenvolvido para redução de asma ocupacional.
Foi realizado um estudo em Portugal poucas manicures tinham conhecimento
de práticas relacionadas à transmissão do HIV.
A utilização destes artefatos nas unhas também
interfere com o trabalho dos profissionais de saúde. Unhas
compridas reduzem a destreza e a capacidade de apreensão
das mãos, podem perfurar luvas e enroscar em artigos, leitos
e curativos. As extensões ungueais podem se partir ou perder
em cerca de duas a três semanas, se não forem alvo
de cuidados especiais. O leito ungueal pode se tornar amarelado,
seco, com fissuras, por perda do seu óleo natural e a unha
natural pode atrofiar e desenvolver infecção fúngica.
Pode ocorrer paroníquia, alergia, sensibilização
a várias substâncias empregadas e até metahemoglobinopatia.
Além disso, unhas longas ou artificiais podem transmitir
microrganismos, pois unhas artificiais apresentam maior probabilidade
de albergar patógenos, principalmente os bacilos Gram negativos,
que são mais dificilmente removidos, comparando-se com unha
normal. Um surto de infecção por Pseudomonas em UTI
neonatal foi associado a dois profissionais de enfermagem, um com
unhas longas e outro com unhas artificiais. Estas últimas
foram também implicadas em surto de infecção
cirúrgica em cirurgias cárdio-vasculares. A utilização
de esmaltes não altera a carga microbiana ungueal, embora
nos pacientes possa dificultar a visualização propedêutica
de sua cor. As vezes são aplicados produtos inflamáveis,
podendo representar problemas se diatermia é empregada.
Fonte: Jeanes A, Green J. Nail art: a review of current infection
control issues. J hosp Infection (2001) 49: 139-142.
Resumido
por: Antonio Tadeu Fernandes.

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