cap. 11
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Anti-sepsia das mãos: solução alcoólica versus álcool gel

 

Existem três maneiras de se realizar a higiene das mãos no ambiente hospitalar: a lavagem com água e sabonete (com ou sem anti-sépticos), aplicação de álcool gel e aplicação de álcool sob forma líquida. O gel contém álcool etílico ou isopropílico em concentrações que variam de 60 a 75%, associado a ácido poliacrílico e um neutralizante, geralmente trietanolamina. Os sabonetes anti-sépticos contêm, além do germicida, surfactantes, corantes e perfumes. O álcool em forma líquida apresenta em sua fórmula propanolol a 75%, ingredientes para proteção da pele, cor e perfume.
Pietsch H comparou inicialmente a tolerância dérmica e a ação antimicrobiana dos produtos Hibiscrub® (clorexidina 4%) com o Sterillium® (álcool sob a forma líquida). Eles foram utilizados por sete semanas consecutivas em trinta voluntários de cada grupo. Após intervalo de quatro semanas, a experiência foi repetida, trocando o produto empregado. Foi realizada aplicação de 3 ml das soluções, oito vezes/dia. A tolerância dérmica foi avaliada pelo grau de aspereza da mão, descamação da pele, hidratação, perda de água trans-epidérmica, além da avaliação clínica por um dermatologista. A ação antimicrobiana foi analisada, massageando-se a mão dentro de um saco plástico com meio de cultura, realizando-se contagem bacteriana por diluições seriadas.
O álcool líquido apresentou melhor tolerância dérmica que a clorexidina em todos os parâmetros avaliados, inclusive quinze voluntários tiveram que interromper o estudo quando utilizavam a clorexidina, contra apenas um com o álcool líquido. Com a utilização do álcool líquido, a flora da mão reduziu de 5,50 log 10 para 2,94 log 10, ao passo que com a clorexidina, a queda foi para 4,21 log 10, com significância no resultado. Mesmo após o final da cirurgia, esta diferença ainda se mantinha (3,54 log 10 para o álcool líquido x 4,61 log 10 para a clorexidina). Assim, tanto na atividade microbiocida (inclusive na ação residual) quanto na tolerância dérmica, o álcool líquido suplantou a clorexidina degermante.
Completando este estudo, o autor comparou o álcool líquido com o álcool gel, todos friccionados com 3 ml, a partir de mãos artificialmente contaminadas com E. coli. A redução microbiana foi significativamente maior quando se utilizou o álcool líquido, que demonstrou por este estudo, ser a melhor opção entre as disponíveis atualmente.

Fonte: Pietsch H. Hand antiseptics: rubs versus scrubs, alcoholic solutions versus alcoholic gels. J Hosp Infect (2001) 48 (Supplement A): S33-S36.

 

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

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