cap. 22
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A freqüência ideal para troca do acesso vascular: é seguro ultrapassar 72 horas? (réplica e resposta do autor)

No exemplar de março de 2001 da revista Infection Control and Hospital Epidemiology, Raad e colaboradores, do Anderson Cancer Center de Houston no Texas, sugerem que a periodicidade da troca do acesso vascular possa ser ampliada até a cada sete dias. Os autores argumentam que a bacteremia relacionada ao acesso vascular é uma complicação rara da assistência e esta alteração pode gerar uma economia considerável. Eles ressaltam que isto não deve ser feito com pacientes de alto risco para infecção, recebendo nutrição parenteral prolongada, derivados do sangue, ou interleucina-2. Macias AE, da Universidade de Guanajuato de Leon, México, contestou firmemente este trabalho em carta encaminhada à revista, que foi respondida pelos autores do texto original. Percebe-se uma ironia de parte a parte nos argumentos apresentados.
Macias contesta inicialmente a quantidade de restrições apresentadas, afirmando ser um viés do estudo, e que seria mais fácil os autores excluírem todos os pacientes hospitalizados. A análise detalhada das práticas profissionais em vários hospitais, principalmente dos países em desenvolvimento, aponta falhas que podem levar à contaminação das soluções parenterais empregadas, principalmente relacionadas à maneira improvisada com que são preparadas nos postos de enfermagem e não em farmácia central, sob técnica asséptica. Isto aumenta muito o risco de contaminação, destacando-se as bactérias da família Klebsiella, que facilmente proliferam nestas soluções. Em muitos países, falhas para o diagnóstico desta infecção faz com que os episódios sejam "detectados" pela imprensa e comunidade ao se constatar um elevado número de óbitos principalmente em pacientes pediátricos, com amplo desgaste até para imagem da instituição e de seus profissionais.
Macias questiona se os dados obtidos de instituições que seguem protocolos rígidos de controle de infecção, que garantem a qualidade de todo processo de atendimento, podem ser extrapolados para hospitais que não observam este mesmo rigor. Geralmente, estas mesmas instituições, por razões econômicas, deixam de fazer importantes medidas de controle, aumentando o risco para o paciente. Se a isto for adicionada esta maior periodicidade da troca, poderá ser fatal ao associar procedimentos feitos de maneira não ideal, aumentando o risco de contaminação, com a sua maior duração, permitindo um maior e mais letal inóculo microbiano. Ele conclui que certamente esta conduta terá eco, pressionando em favor do aumento da periodicidade da troca, sem questionar e controlar os demais fatores de risco presentes. Ele compara o controle de infecção às medidas de segurança da aviação comercial, onde um erro pode ser fatal levando a vários óbitos, daí a necessidade de uma certa redundância e segurança adicional das ações preventivas.
Na defesa de seu artigo original, Raad afirma que bacteremias pela família da Klebsiella é um evento raro no Estados Unidos e que no seu estudo ele já conclui que uma maior casuística é necessária para se validar esta sua proposta de ampliar a periodicidade da troca para cada sete dias e finaliza convidando o Dr. Macias para participar destes estudos, ao invés da defesa da conduta atual.

Fonte: Macias AE, Raad I. Optimal frequency of changing intravenous administration sets: Is it safe to prolong use beyond 72 hours?. Infect Control Hosp Epidemiol 2001; 22: 475-476.

 

Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes.

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