cap.
62
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Procedimentos
em higiene hospitalar: consenso e controvérsias (editorial)
Em
agosto de 2001, o The Journal of Hospital Infection publicou
um suplemento especial com os principais temas discutidos no The
6th International BODE Hygiene Days, que se realizou de 7 a
10 de setembro de 2000 em Viena, Áustria. Boyce JM e Rotter
ML, escreveram o Editorial da publicação comentando
as principiais conclusões do evento, que resumimos a seguir.
Estes artigos estão para votação no Boletim
8 e poderão ser resumidos em nosso site, caso sejam selecionados.
A contínua emergência de germes multi-resistentes nas
instituições de saúde de todo o mundo é
um desafio que não está sendo adequadamente controlado
com as medidas implementadas (isolamento, racionalização
de antibióticos e descolonização de pacientes
colonizados), despertando o interesse na revisão nas práticas
higiênicas para prevenir a disseminação destes
patógenos. Este foi o tema central do congresso que reuniu
180 participantes de 25 países.
Foram comparadas as recomendações para a higiene das
mãos em diversos países, sendo observadas importantes
divergências. Até o conceito de lavagem das mãos
é diferente. Na Europa refere à lavagem com água
e sabão, sem anti-sépticos, ao passo que nos Estados
Unidos este termo também é empregado quando se utilizam
anti-sépticos. Na Europa quando estas substâncias são
utilizadas, denomina-se higiene das mãos quando se fricciona
uma solução alcoólica para anti-sepsia. Também
existe falta de consenso em relação à indicação
da lavagem/higiene das mãos, talvez em decorrência
de poucos trabalhos que associam o grau de contaminação
das mãos com atividades específicas.
Embora a maioria dos guias considere a principal medida de controle
das infecções cruzadas a lavagem das mãos,
com ou sem anti-sépticos, algumas recomendações
oficiais européias estão substituindo-a pela fricção
com soluções alcoólicas, principalmente na
Alemanha, Áustria e Polônia. As soluções
alcoólicas são mais efetivas na redução
de microrganismos nas mãos da equipe e se forem formuladas
adequadamente diminuem a irritação e o ressecamento,
comprando-se com a lavagem clássica. Enquanto que nos Estados
Unidos predominam formulações alcoólicas sob
a forma de gel, na Europa a maioria é na forma líquida,
que demonstrou ser mais efetiva na redução da contagem
microbiana.
Vários estudos discutiram as propriedades cosméticas
dos agentes aplicados na pele dos profissionais de saúde.
O uso de anti-transpirantes nas mãos reduz a colonização
microbiana, favorecida pela sudorese, que ocorre nas mãos
enluvadas. Foi observado que não existe consenso nos testes
laboratoriais empregados para se avaliar a ação viruscida
dos anti-sépticos. Rutala revisou argumentos favoráveis
e contrários ao uso de desinfetantes em superfícies
e artigos não-críticos, concluindo pelas vantagens
potenciais da desinfecção. Foi também discutido
que a limpeza e desinfecção inadequada dos endoscópios
pode resultar na transmissão de vários patógenos.
Enfatizou-se a importância do laboratório de microbiologia
clínica para o controle das infecções hospitalares.
Fonte:
Boyce JM, Rotter ML. Hospital Hygiene procedures: areas of consensus
and ongoing controversies. J Hosp Infect (2001) 48 (Supplement
A): S1-S3.
Resumido
por: Antonio Tadeu Fernandes.

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