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Infecção do sítio cirúrgico em cirurgias ambulatoriais.
A realização de cirurgias em regime ambulatorial é uma das mais importantes inovações, representando mais da metade dos procedimentos em alguns centros. Existe necessidade de revisar as estratégias para vigilância da ocorrência de infecção nestes pacientes. Alguns autores sugerem que o risco de infecção é menor quando o procedimento é ambulatorial. A equipe da Dra. Vilar-Compte, do Instituto Nacional de cancerologia do México realizou um estudo caso-controle para avaliar a incidência destas infecções e os principais fatores de risco envolvidos, estudando o período de janeiro de 1993 a dezembro de 1997. Foram avaliados os exames microbiológicos e os registros médicos de pacientes submetidos à cirurgia ambulatorial, utilizando-se os critérios diagnósticos elaborados pelo CDC. Os fatores de risco estudados foram: idade, sexo, quimioterapia há menos de um mês do procedimento, neutropenia, uso profilático e pós-operatório de antibióticos, classificação da cirurgia por potencial de contaminação, escore ASA, presença de drenos, obesidade e duração da cirurgia. No período do estudo, foram realizadas 1556 cirurgias ambulatoriais, que corresponderam a 15,4% das cirurgias realizadas na instituição. Não foram estudados 201 pacientes (13%) por não haver retorno na instituição. Os principais procedimentos realizados foram: excisão cutânea, biópsia de linfonodo, excisão de lesão em tecidos moles com ou sem enxerto. A taxa de infecção foi 2,8%, variando de 2,4% nos procedimentos limpos até 11,5% nas cirurgias infectadas. Não houve nenhum episódio de infecção de órgãos ou espaços, sendo 27 casos de infecção superficial do sítio cirúrgico e 11 de infecção profunda. Os casos ocorreram do 4º ao 28º pós-operatório, com média em 10,3 dias e todos responderam, bem ao tratamento com antibiótico associado a cuidados locais. Por análise de regressão logística, os principais fatores de riscos relacionados à infecção do sítio cirúrgico foram: uso pós-operatório de antibióticos (Odds Ratio 7,5; P < 0,0001), duração da cirurgia acima de 35 minutos (Odds Ratio 2,4; P = 0,03) e idade acima de 50 anos (Odds Ratio 2,6; P = 0,05). O uso correto de antibióticos é associado com redução da ocorrência de infecção. Entretanto, muitos profissionais apenas iniciam a antibioticoprofilaxia após o término da cirurgia. Um estudo anterior já havia demonstrado que a antibioticoprofilaxia iniciada acima de 3 horas após a incisão cirúrgica aumenta em cinco vezes o risco de infecção do que quando iniciada dentro de duas horas da incisão. Segundo os autores "este aumento é difícil de explicar, mas pode estar relacionado a percepção subjetiva do cirurgião que identifica procedimentos com maiores dificuldades e maior chance de complicações por problemas técnicos, quebra da assepsia durante a cirurgia ou maior duração do procedimento. Nestes casos, o cirurgião opta por prescrever antibióticos ao final do procedimento". Fonte: Vilar-Compte D, Roldan R, Sandoval S, Corominas R, De la Rosa M, Gordillo P, Volkow P. Surgical site infections in ambulatory surgery: a 5-year experience. Am J Infect Control (2001) 29:99-103. Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes Envie
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