WESTPORT,
Março 17 (Reuters Health)
Uma unidade de cuidados intensivos neonatais que emprega antibióticos
de baixo espectro tem um menor risco de desenvolver cepas de bacilos
resistentes.
O Dr. P. de Man do Erasmus University Medical Centre de Rotterdam,
Holanda, e seus colegas descreveram seu estudo no exemplar de 18
de março do The Lancet. Eles avaliaram uma UTI neonatal que padronizou
penicilina G e tobramicina para a sepse de início precoce e oxacilina
associada a tobramicina para sepse de início tardio, evitando o
uso rotineiro de beta-lactâmicos de maior espectro como a amoxacilina
e a cefotaxima. Em outra unidade foi padronizada a amoxacilina e
a cefotaxima na terapêutica empírica destes casos.
De 436 admissões em ambas unidades durante os primeiros seis meses
do estudo, apenas 3 neonatos que receberam penicilina-tobramicina
ficaram colonizados com bacilos resistentes, comparando com 41 crianças
do grupo amoxacilina-cefotaxima.O risco desta colonização por 1.000
pacientes-dia foi 18 vezes maior no segundo grupo.
Quando as unidades misturaram os regimes, colonização similar foi
observada. Durante ambos períodos, o mais comum bacilo isolado no
grupo amoxacilina-cefotaxima foi o Enterobacter cloacae, enquanto
que nos pacientes que receberam penicilina-tobramicina foi a Escherichia
coli.
"Vigilância sobre o uso empírico de antibióticos foi efetiva para
o controle da resistência microbiana em nossa UTI" concluíram o
Dr. de Man e sua equipe. Eles observaram que a padronização de penicilina-tobramicina
para sepse neonatal em sua UTI durante os dois anos que sucederam
a este estudo não os fez deparar com novos problemas de resistência
microbiana ou falhas de tratamento neste período.
"Evitando penicilinas e cefalosporinas de amplo espectro, reservando-as
para as unidades que têm tido problemas com resistência na família
Enterobacteriacae, pode ser uma medida de valor nos setores que
habitualmente prescrevem altas quantidades de antibióticos", sugerem
os pesquisadores.
Porém o Dr. John P. Quinn e Dr. Keith A. Rodvold, editorialistas
da revista, ambos da University of Illinois de Chicago, comentaram
que políticas de restrição do uso de antibióticos "são apenas uma
das potenciais medidas de controle". Continuaram os editorialistas:
"as evidências também sugerem que prescrever antibióticos na dose
e duração recomendadas também é essencial para o controle dos microrganismos
resistentes e ambas estratégias devem ser importantes para estancar
o desenvolvimento de resistência microbiana".
Lancet 2000;355:946-947,973-978.
Resumido
por: Antonio Tadeu Fernandes.