cap. 89
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Descontaminação de superfícies com MRSA

 

Os autores encaminharam uma carta ao Journal of Hospital Infection com comentários a respeito de um artigo publicado na mesma revista, que discutia a sobrevivência de MRSA nas superfícies de embalagens estéreis. Os autores optaram por estudar a sobrevivência deste microrganismo também em outros objetos de papel. Eles vivenciaram um surto de MRSA na sua UTI por um período superior a um ano, onde foram usados artigos de uso único descartáveis. Após este período, os materiais não utilizados permaneceram guardados na UTI e os autores foram realizando culturas das embalagens para avaliar a persistência de MRSA, que surpreendentemente sobreviveu por mais de seis meses. Durantes este período, muitos artigos tiveram seu prazo de validade expirado, porém suas culturas não revelaram MRSA, que estava presente nas suas embalagens. Por outro lado, várias culturas ambientais continuavam positivas para MRSA e os autores concluíram que nenhum objeto em um ambiente contaminado por MRSA pode ser considerado livre deste microrganismo.
Além de sobreviverem em embalagens, os MRSA podem sobreviver em prontuários médicos, pois ficam próximos aos pacientes, podem ser contaminados e não podem ser desinfetados, sem danificar seus registros. Segundo os autores, os prontuários de pacientes de MRSA positivo são embalados em sacos plásticos e estocados por aproximadamente um ano no arquivo médico.  Os autores observaram outros incidentes. No tratamento de um paciente com úlcera de pressão colonizada por MRSA houve a contaminação do médico e seu auxiliar e mesmo após o tratamento para descolonização, o médico continuava portador. Os autores concluíram que o ambiente pode ter contribuído para esta recorrência. Em um protocolo holandês para manejo de pacientes com MRSA  foram realizadas culturas do chão e de objetos próximos ao paciente, nas quais se isolaram a mesma cepa que contaminava o paciente. Além da desinfecção ambiental, os prontuários destes pacientes foram selados e posteriormente submetidos a esterilização por raios gama. E finalizando os autores afirmam que “com este procedimento foi eliminado o risco destes papéis serem fonte de MRSA”.

Fonte: Wagenvoort JHT, De Brauwer EIGB, Sijstermans MLH. MRSA decontamination of paper-containing objects. J Hosp Infect 2002; 51:74-77.

Resumido por Antonio Tadeu Fernandes em 20 de abril de 2008.

 

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