Existirão recomendações específicas para prevenção de infecção relacionada ao acesso vascular em pacientes grandes queimados?

Os autores realizaram uma revisão sistemática de literatura utilizando PubMed, Lillacs e Cochrane com o objetivo de identificar as evidências científicas disponíveis sobre as intervenções de enfermagem para a prevenção de infecções relacionadas com a presença de cateteres venosos centrais ou periféricos em pacientes grandes queimados. Os pacientes com acima de 30% de superfície corporal queimada apresentam as maiores taxas de infecção relacionada a CVC.  Os principais fatores de risco para infecção em pacientes com queimaduras são: extremos de idade; número de dispositivos invasivos; número total de dias de CVC por paciente; presença de outros diagnósticos;  manipulação excessiva dos CVCs; mudanças freqüentes do CVC; e local de inserção do cateter. Em um estudo caso-controle, foram identificados como fatores de risco para sepse (de acordo com a força da associação): o uso de três ou mais cateteres (odds ratio [OR]: 12,24: 4,91-30,52); presença de duas ou mais complicações (OR: 8,49: 3,87-18,59); superfície corpórea afetada maior que 30% (OR: 6,47: 3,04-13,77); chama como causa da queimadura (OR: 4,08: 1,59-10,49); e sexo feminino (OR: 2,46: 1,21-5,01).

Com relação ao local de inserção do CVC, a proximidade entre a escara do queimado e o local de inserção do cateter contribui para a imediata colonização bacteriana e o desenvolvimento de infecção relacionada. Os cateteres inseridos perto da escara têm quase duas vezes mais o risco relativo de colonização e cinco vezes o risco de bacteremia comparando com os inseridos longe. Outros autores observaram que a incidência de sepse relacionada ao CVC foi estatisticamente superior quando os cateteres foram colocados a menos de cinco centrímetors da queimadura. De uma maneira geral, ocorre menor contaminação do curativo em cateteres na subclávia que nas  regiões cervical e inguinal, embora estas últimas possam ser escolhidas dependendo do local da queimadura. No entanto, os cateteres femorais estão associados a um maior risco de trombose venosa profunda que na jugular interna ou subclávia.

É importante manter as mãos limpas, utilizando luvas antes da inserção do cateter, manipular o dispositivo e quando aplicar a anti-sépticos pele. A importância da anti-sepsia das mãos, uso de precauções de barreira máxima (incluindo o uso de máscaras, gorros, luvas estéreis, campos estéreis e aventais no momento da inserção do cateter venoso) e uso de clorexidina 2% como anti-séptico em torno da área de inserção são reconhecidas na literatura. As trocas periódicas do cateter central não são recomendadas em pacientes queimados e a contaminação do canhão não é um indicador confiável de infecção. Os fatores que determinam o tempo de troca são a avaliação dos sinais de infecção e da situação do cateter. Os cateteres inseridos em situações de emergência (quando a adoção de técnica asséptica não pode ser garantida) deverão ser substituídos o mais rapidamente possível e depois de um máximo de 48 h. É altamente recomendável que o local de inserção seja avaliado com freqüência, bem como o paciente como um todo, para os sinais e sintomas de infecção, a fim de identificar os cateteres que podem representar fontes de infecção. O CDC não recomenda a substituição rotineira dos cateteres venosos em pacientes com febre, bacteremia ou fungemia, se a origem da infecção não está associada com o cateter.

Uma revisão sistemática sobre a eficácia de CVCs impregnados com antimicrobianos evidenciou a necessidade de melhorar os projetos de estudo para apresentar provas de boa qualidade nesta área para justificar seu emprego na prevenção de infecção associada a cateter. Avanços na tipagem molecular de microrganismos envolvidos na formação do biofilme no cateter, bem como o desenvolvimento de novos materiais que tornam a sua adesão ao cateter mais difícil, podem contribuir para a prevenção de infecções da corrente sanguínea relacionadas aos cateteres. Uma estratégia importante para minimizar os riscos associados a este tipo de trauma é a excisão precoce da escara associada a enxertia de pele, o que contribui para a rápida cicatrização e diminuição do tempo de permanência do cateter. Um programa de educação dirigido por enfermeiros focado na prevenção de infecção relacionada a CVC em unidades de terapia intensiva cirúrgica, de trauma e de queimados mostraram uma diminuição estatisticamente significativa de infecções da corrente sangüínea de 66%.
Concluindo, há apenas evidências limitadas sobre as intervenções que podem ter um impacto positivo na prevenção de infecção relacionada ao cateter venoso em vítimas de queimaduras. Os autores recomendam a interpretação das diretrizes do CDC, como base para organizar os protocolos para evitar infecção relacionada a cateteres em pacientes queimados.

Fonte: Echevarria-Guanilo ME et Al. Preventing Infections due to Intravascular Catheters in Burn Victims. Expert Rev Anti Infect Ther. 2009;7(9):1081-1086. 
Resumido por: Antonio Tadeu Fernandes
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